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As centrais sindicais apresentaram e entregaram ao presidente Lula e ministro o documento com propostas do movimento sindical para enfrentar a crise do tarifaço
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Durante a abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, realizada na terça-feira, 5, no Palácio Itamaraty, em Brasília, o presidente da CUT, Sergio Nobre, e dirigentes da Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB entregaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento com propostas para enfrentar os impactos da guerra comercial e das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O texto, intitulado Propostas das Centrais Sindicais diante da Guerra Comercial: Soberania, Emprego e Desenvolvimento, manifesta preocupação com o agravamento das disputas comerciais globais e com o “tarifaço” anunciado ainda no governo Donald Trump, que passa a valer nesta quarta-feira, 6, elevando em até 50% tarifas sobre diversos produtos brasileiros exportados para os EUA.
As centrais alertam que a medida ameaça diretamente a indústria nacional, o emprego e a soberania produtiva. O documento propõe um novo modelo de desenvolvimento baseado em inclusão social, inovação e justiça.
Ao receber as propostas, Lula destacou que “proteger a nossa soberania é um objetivo que está acima de partidos e tendências” e afirmou que o governo “não vacilará em seu dever de preservá-la”.
O presidente criticou os efeitos do tarifaço e acusou “traidores da pátria” de atuarem junto ao governo norte-americano contra a independência dos poderes no Brasil — em referência indireta à família Bolsonaro.
Ele também anunciou que o governo prepara uma política nacional para controlar a exploração de minerais estratégicos, como terras raras e nióbio, garantindo que a riqueza beneficie a população. Segundo Lula, o Brasil já abriu 398 novos mercados para produtos nacionais e participou de 15 seminários empresariais no exterior para diversificar exportações.
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, defendeu soberania nacional com desenvolvimento sustentável e geração de empregos de qualidade. Já Antonio Neto, da CSB, pediu a revogação do arcabouço fiscal e uma política monetária voltada ao desenvolvimento. “É inaceitável que setores cruciais da economia e milhares de empregos fiquem reféns de decisões unilaterais de outro país”, disse.
Dirigentes como Ricardo Patah (UGT) e Adilson Araújo (CTB) reforçaram que enfrentar a crise global exige políticas públicas consistentes, com valorização do trabalho e fortalecimento da indústria nacional.
O documento entregue a Lula apresenta diretrizes em seis eixos:
Defesa da produção nacional;
Proteção ao emprego e à renda;
Negociação coletiva e participação sindical;
Institucionalização do diálogo social;
Transição ecológica justa;
Nova estratégia comercial externa.
Entre as medidas específicas estão:
Fortalecer medidas antidumping e salvaguardas comerciais;
Revisar a Lei de Patentes e incentivar produção local com apoio a P&D;
Priorizar compras públicas com conteúdo nacional e investir em infraestrutura;
Recriar o Programa de Proteção ao Emprego e ampliar a qualificação profissional;
Criar câmaras setoriais tripartites para formular políticas industriais e comerciais;
Promover geração de empregos verdes e economia sustentável;
Revisar acordos internacionais prejudiciais e fortalecer Mercosul e cooperação Sul-Sul;
Transformar o Conex em conselho tripartite com participação efetiva dos trabalhadores.
O Conselhão, formado por representantes da sociedade civil, assessora o presidente na formulação de políticas públicas. A reunião contou com painéis e mesas temáticas com ministros, governadores, conselheiros e convidados. Entre os presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Fernando Haddad, Mauro Vieira, Marina Silva, Sônia Guajajara, Anielle Franco, Luiz Marinho, Luciana Santos, a ministra Gleisi Hoffmann, a primeira-dama Janja e a atriz e conselheira Dira Paes.