Trabalhadores fazem ato em defesa da soberania nacional no dia 1º de agosto

Mobilizações em ao menos dez capitais responderão à taxação de 50% imposta pelos EUA às exportações do Brasil

Trabalhadores fazem ato em defesa da soberania nacional no dia 1º de agosto

Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil

O dia 1º de agosto, sexta-feira, deve marcar o início da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. A medida, anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, é considerada por entidades sindicais e movimentos populares como uma ameaça à economia nacional, ao emprego e à soberania do Brasil. Em resposta, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) convocou uma mobilização nacional com atos confirmados em diversas capitais do país. Em Porto Alegre, será às 18h, na Esquina Democrática, no centro da capital.

Durante o ato em defesa da democracia e da soberania, realizado na Faculdade de Direito da USP, na sexta-feira, 25, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, convocou a classe trabalhadora a se mobilizar. “Quero convocar os trabalhadores, em especial a nossa base da CUT, para se engajar na grande mobilização nacional do dia 1º de agosto. É muito importante que todos, das federações, organizem o ato e que ele seja vitorioso. Viva o Brasil democrático e soberano. Viva a classe trabalhadora!”, afirmou.

Atos confirmados nas capitais:

  • São Paulo (SP) – às 10h, no Consulado dos EUA

  • Salvador (BA) – às 15h, no Campo Grande

  • Rio de Janeiro (RJ) – às 18h, no Consulado dos EUA

  • Brasília (DF) – às 9h, em frente à Embaixada dos EUA

  • Porto Alegre (RS) – às 18h, na Esquina Democrática

  • Belo Horizonte (MG) – às 17h, na Praça Sete

  • Manaus (AM) – às 16h, na Praça da Polícia, com caminhada até a Praça do BK

  • Recife (PE) – às 15h30, na Praça do Derby

  • Florianópolis (SC) – às 19h30, na Praça da Alfândega

Além da denúncia contra a taxação norte-americana, os protestos trarão outras bandeiras:

  • Fim da escala 6×1 no trabalho

  • Isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil

  • Taxação dos super-ricos

  • Redução da jornada de trabalho

  • Rejeição ao PL do licenciamento ambiental, apelidado de “PL da Devastação”

  • Fim da pejotização irrestrita

  • Fim do genocídio na Faixa de Gaza

Interesses por trás da tarifa

Conforme nota da Central Única dos Trabalhadores, a taxação imposta por Donald Trump não se resume a uma retaliação comercial. Para a CUT, trata-se de um movimento político e estratégico do governo norte-americano em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado por tentativa de golpe de Estado e possível alvo de prisão.

Trump, que também foi investigado por tentar anular os resultados das eleições de 2020 nos EUA, declarou publicamente que o governo brasileiro persegue Bolsonaro. No entanto, segundo analistas e representantes de movimentos sociais, a motivação real está nos interesses comerciais dos EUA, especialmente frente ao crescimento do sistema de pagamentos Pix e à disputa por terras raras — minerais estratégicos para as indústrias bélica e tecnológica. O Brasil é o segundo maior produtor mundial desses minérios, atrás apenas da China.

A relação entre Trump e Bolsonaro já foi alvo de críticas. Durante seu mandato, o ex-presidente brasileiro chegou a oferecer a exploração da Amazônia aos Estados Unidos. Seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também adotaram discursos alinhados com os interesses dos EUA, mesmo em detrimento da soberania brasileira.

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