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O objetivo da mobilização é engajar a população em lutas fundamentais para combater a desigualdade e melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora
Foto: Bruno Santos/ MST
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), demais centrais sindicais, entidades que compõem a Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo e movimentos sociais lançam nesta terça-feira, 1º de julho, o Plebiscito Popular 2025, que vai colher a opinião dos trabalhadores sobre redução da jornada de trabalho sem redução de salário, fim da escala 6 x 1, isenção do IRPF para salários até R$ 5 mil por mês e aumento da taxação para quem ganha acima de R$ 50 mil por mês.
Os temas já estão na pauta do Congresso com o protocolo da PEC da escala 6×1, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e o projeto de lei da reforma tributária do governo federal, mas nenhum deles teve tramitação.
O objetivo da mobilização é engajar a população em lutas fundamentais para combater a desigualdade e melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora. No Rio Grande do Sul, o lançamento da campanha será no no auditório da Casa dos Bancários, no SindBancários (General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre) às 18h30min.

“Será um momento de dialogar com a população sobre duas questões centrais para a classe trabalhadora e construção de um país mais justo e humano”, projeta Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
“Esse plebiscito é uma grande oportunidade de escutar o povo brasileiro e colher dali uma sensibilidade que, acreditamos, precisa ser levada em consideração tanto pelo legislativo quanto pelo próprio governo. Mais do que isso, será um momento de elevação do nível de consciência da sociedade sobre temas centrais, como o absurdo dos pobres continuarem pagando tantos impostos enquanto os super-ricos seguem sem serem tributados. E também sobre a importância fundamental da redução da jornada de trabalho para o desenvolvimento do país e a melhoria da qualidade de vida de quem vive do próprio esforço”, afirma Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS.
Para o secretário nacional de Mobilização e Relação com Movimentos Sociais da CUT, Milton dos Santos Rezende, (Miltinho), o Plebiscito Popular 2025 ocorre em um momento importante em que o parlamento brasileiro vem se consolidando como um “espaço de bloqueio das mudanças populares mais básicas”.
“É nele que a elite brasileira finca suas unhas para impedir qualquer redistribuição de riqueza. Por isso, o plebiscito também cumpre uma função de denúncia e de pressão política: ele aponta diretamente para esse conflito de classe e mostra que há um Brasil que quer mudar e outro que fará de tudo para manter privilégios e desigualdades”, aponta.
Na avaliação do dirigente, os temas do plebiscito popular se conectam na vida da classe trabalhadora, e se torna mais necessário após o período de destruição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e crescimento da informalidade durante os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
“Neste ano, trabalhadores e trabalhadoras também foram às ruas para denunciar a escala 6×1 e as jornadas exaustivas que adoecem, esmagam e roubam o tempo de viver. É nesse contexto que se insere a defesa da redução da jornada de trabalho sem redução de salário, e o fim da escala 6×1 — temas que, assim como a justiça tributária, tocam a dignidade e a qualidade de vida da classe trabalhadora”, continua Miltinho.
Para o secretário de Relações de Trabalho da CUT-RS e diretor do SindBancários, Tiago Pedroso, o plebiscito é um instrumento essencial de mobilização no contexto atual, de forte disputa política, onde o Congresso se posiciona a favor do empresariado quando o governo apresenta pautas de interesse dos trabalhadores.
“Também é preciso organizar a classe trabalhadora para, em 2026, votar em representantes comprometidos com nossas pautas. Quando elegemos representantes das elites, perdemos direitos – como vimos nas reformas trabalhista e previdenciária – e enfrentamos agendas conservadoras que atacam liberdades e direitos das mulheres, LGBTs, negros e povos originários”, afirma.
O plebiscito que começa nesta terça-feira deve ganhar mais visibilidade nas mobilizações do Grito dos Excluídos, na Semana da Pátria (1 a 7 de setembro), quando militantes irão às ruas para dialogar com a população sobre a importância da participação popular na consulta.
A campanha vai organizar comitês municipais, regionais e em locais de trabalho, moradia e estudo, com o objetivo de realizar uma grande votação. Também estão previstos cursos de formação para preparar militantes a atuar no trabalho de base e na educação popular.
Durante a votação, urnas físicas estarão disponíveis em sindicatos, praças, igrejas, terminais de transporte e outros espaços.
O SindBancários terá uma urna para votação em papel. Também será possível votar pelo site www.plebiscitopopular.org.br, onde já estão disponíveis informações sobre redução da jornada de trabalho sem redução de salário, fim da escala 6×1, isenção de pagamento de imposto de renda (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil por mês e aumento da taxação sobre quem ganha mais de R$ 50 mil mensais, em nome da justiça tributária.
A expectativa é recolocar na agenda nacional temas urgentes sobre direitos trabalhistas e distribuição de renda, a partir da escuta e decisão do próprio povo. Após o plebiscito, o resultado será entregue em Brasília às lideranças dos Três Poderes.