Exposição reúne memórias sobre ditaduras no Cone Sul

‘Memórias encontradas: entre a solidariedade e a perseguição’ destaca pessoas que denunciaram a violência e salvaram vidas em meio ao terror
Exposição reúne memórias sobre ditaduras no Cone Sul

‘Memórias Encontradas’ teve abertura no dia 5 de maio e segue aberta para visitação até junho, na UFGM

Foto: UFMG/ Divulgação

A partir desta segunda-feira, 5, até o dia 4 de junho, a Universidade Federal de Minas Gerais (campus na Pampulha, em Belo Horizonte) sedia a exposição Memórias encontradas: entre a solidariedade e a perseguição com debates, mesas-redondas e exibição de filmes brasileiros com a temática da ditadura e do exílio.

A mostra revisita os anos de terror da aliança entre Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia, a mortífera Operação Condor, que entre 1969 e 1981, permitiu a livre circulação de informações entre os países para perseguir, torturar, assassinar e desaparecer opositores das ditaduras militares no continente.

A centralidade da exposição são as histórias de homens e mulheres que buscaram refúgio na Embaixada da Argentina em Santiago (Chile) durante o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973. A iniciativa é do Centro de Estudos Latino-Americanos da Diretoria de Relações Internacionais da UFMG em parceria com a Pró-reitoria de Cultura e o Grupo de extensão História Intelectual.

Nesta segunda-feira, às 17h, ocorreu a abertura da programação, no mezanino da Reitoria, com a participação especial do Coletivo Pontos de Luta. Uma mesa-redonda abriu os trabalhos, com a presença do assessor especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Nilmário Miranda, do cineasta e ex-exilado no Chile, Helvécio Ratton, e da ex-diretora Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, Magda de Almeida Neves.

A proposta é proporcionar debates e reflexões sobre esse período da história latino-americana para manter viva a memória do período das ditaduras militares que ocorreram no passado recente e que são fundamentais para que não se repitam.

“É uma exposição muito importante do ponto de vista histórico, porque traz a ideia de não esquecermos o que aconteceu não só no Brasil, mas nos países do Cone Sul que vivenciaram períodos de ditadura militar. Tem a ver com a ideia de preservar o passado como forma de garantir o futuro”, explica Adriane Vidal Costa, pesquisadora do Centro de Estudos Latino-americanos e professora de História da UFMG.

Camadas de memórias e dor

Exposição reúne memórias sobre ditaduras no Cone Sul

A exposição conta com painéis produzidos pela artista plástica Fulvia Molina que retratam brasileiros sequestrados e assassinados em 1974

Foto: UFMG/ Divulgação

A partir de documentos produzidos pela Dirección de Inteligencia de la Policía de la Provincia de Buenos Aires (DIPPBA), que fotografou e registrou todos os latino-americanos que foram asilados na Embaixada da Argentina, e produziu fotografias, fichas com datas de ingresso, antecedentes ideológicos e de destino posterior, a exposição, idealizada pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Brasil e da Comisión Provincial por la Memoria da Argentina, chega a Belo Horizonte, com a parceria da UFMG, após ter passado pelo Uruguai, Chile, Argentina e, no Brasil, por Porto Alegre, Curitiba, Campinas, São Paulo e Niterói.

O material exposto no Brasil envolveu a tradução de sete painéis textuais que acompanham as fotos, bem como a produção de oito painéis fotográficos em tamanho natural de brasileiros que estiveram na embaixada. Dois deles, Daniel José de Carvalho e José Lavecchia, figuram entre os seis sequestrados e assassinados no Massacre de Medianeira, em 1974, cujos corpos até hoje não foram localizados.

Conta também com 12 painéis em acrílico e vinil transparente produzidos pela artista plástica Fulvia Molina. Segundo a artista, a instalação “busca trazer para o presente, por meio de transparências e veladuras, as camadas de memória da dor de nosso passado ditatorial recente”.

A exposição inclui dois painéis bordados a respeito dos 60 anos do golpe no Brasil. O primeiro deles, com os nomes dos 434 mortos e e desparecidos durante a ditadura, reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade.

Os nomes foram bordados por nove coletivos de bordado ativista Brasil a fora – BordaLuta, Linhas da Ilha, Linhas da Resistência, Linhas de POA, Linhas de Sampa, Linhas do Horizonte, Linhas do Mar, Linhas do Rio e Linhas do Sul. O segundo painel, bordado por Linhas de Sampa, apresenta as atrocidades praticadas durante a ditadura.

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