Tropa de choque marcou presença em ocupação do MST em Triunfo

MST realiza Jornada Nacional de Lutas com ações em mais de 10 estados. No RS, os agricultores ocupam área da CEEE e pressionam governo estadual

Tropa de choque marcou presença em ocupação do MST em Triunfo

Foto: Paulo Roberto/ALRS

No final da madrugada desta quinta-feira, 10, nem mesma havia amanhecido quando 400 famílias de agricultores vinculados ao Movimento Sem Terra (MST) iniciaram a ocupação de uma área de 1,7 mil hectares, no município de Triunfo. Parte do terreno pertence à CEEE Transmissão e é usada para o cultivo e tratamento de eucalipto para fabricação de postes.

Segundo o Movimento, uma outra área da mesma propriedade está abandonada e sem cumprir qualquer função social. As estruturas dos prédios e galpões estariam degradadas e já teriam ocorrido roubos de transformadores e fios de cobre.

O acampado em Tupanciretã e integrante da direção estadual do MST Marlon Rodrigues afirma que após um ano das enchentes ainda não houve retorno do governo do estado sobre o reassentamento das famílias que viveram suas casas e trabalhos alagados em Eldorado do Sul.

“Também estamos aguardando do governo federal as soluções para o assentamento das famílias que estão há mais de 10 anos acampadas no RS.” Estão cadastradas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/RS) 1.604 famílias que aguardam por assentamento.

A ação integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. A jornada iniciou dia 1º  e segue até 17 de abril, data que marca o Dia Internacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária e marca os 29 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, quando 21 trabalhadores Sem Terra foram mortos e 69 ficaram mutilados pela Polícia Militar, durante uma marcha na BR-155, no Pará.

O MST defende a recuperação da área com produção agroecológica e denuncia a omissão dos governos diante das famílias que seguem acampadas no RS.

Ação da Brigada é criticada por deputado

Tropa de choque marcou presença em ocupação do MST em Triunfo

Deputado Adão Pretto considerou desproporcional a presença do Pelotão de Choque

Foto: Paulo Roberto/ALRS

O deputado estadual Adão Pretto Filho (PT) criticou a ação da Brigada Militar durante a ocupação. Ele classificou a presença da tropa de choque como um “aparato desproporcional”.

“A ocupação foi ordeira, sem violência. E o que o governo do estado faz? Envia batalhão de choque. Estamos falando de famílias inteiras, com mulheres e crianças, em uma manifestação ordeira. A presença da tropa de choque só deixa o ambiente hostil, quando o que se busca é diálogo e solução para essas famílias. É um aparato desproporcional. Na condição de presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia, e de parlamentar que defende o MST, eu repudio a postura do governo do estado”, afirmou Pretto.

O objetivo do MST é pressionar o governo estadual pela criação de novos assentamentos e reassentamentos, especialmente para famílias atingidas por enchentes. O movimento também pede a regularização de assentamentos existentes, com a emissão dos termos de concessão de uso.

Segundo o deputado, esses documentos são essenciais para garantir o acesso a programas federais de apoio à reforma agrária. Ele reforçou que o movimento busca produzir alimentos e viver com dignidade no campo.

“Essas famílias querem apenas um espaço para plantar e produzir comida saudável, como já fazem mais de 13 mil famílias assentadas no estado. A resposta do governo não pode ser a repressão, e sim políticas públicas eficazes”, declarou.

As famílias deixaram o local após a promessa de uma reunião com o chefe da Casa Civil, Artur Lemos. O encontro deve ocorrer ainda nesta quinta-feira.

Jornada Nacional de Lutas do MST em mais de 10 estados

Tropa de choque marcou presença em ocupação do MST em Triunfo

No RS, 400 famílias de agricultores vinculados ao Movimento Sem Terra, iniciaram a ocupação de uma área de 1,7 mil hectares, no município de Triunfo.

Fotos: Victor Frainer/MST

A Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, promovida pelo MST, já realizou 23 ações em 10 estados desde o dia 1º de abril. Cerca de 10 mil famílias participam das mobilizações, que exigem a implementação da reforma agrária e apoio à agricultura familiar.

As ações incluem protestos e ocupações de latifúndios nos estados do Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo e, agora, no Rio Grande do Sul.

Margarida Silva, da direção nacional do MST, afirma que a jornada denuncia o modelo do agronegócio e defende uma agricultura que garanta soberania alimentar ao país.

“As ações anunciam a Reforma Agrária Popular como resposta à crise ambiental e social. O lema ‘Ocupar para o Brasil alimentar’ mostra que é possível combater a concentração de terras e produzir comida saudável e acessível para o povo brasileiro”, declarou a dirigente.

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