Movimento
Feminicídio cresce 190% em 11 anos e expõe falência da proteção às mulheres
Entre 2015 e 2025, o Brasil acumulou 13.474 vítimas de feminicídio. O crescimento é contínuo,…

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Jussara Prá, fundadora do Núcleo Indisciplinar de Estudos sobre Mulher e Gênero (Niem/Ufrgs), Télia Negrão, jornalista integrante do Levante Feminista contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio, e a jornalista Clarinha Glock, mestra em Educação, são as convidadas da segunda edição dos Diálogos Amelie, que será realizada nesta quarta-feira, 26, às 19h, com entrada franca.
A atividade é uma parceria do coletivo Querela Jornalistas Feministas e o Espaço Amelie (Rua Vieira de Castro, 439 – Porto Alegre) e tem como proposta avaliar os avanços e retrocessos da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim (Beijing), especialmente do ponto que trata das mulheres e a mídia. O painel tem entrada franca.
A Declaração e Plataforma de Ação de Pequim é resultado da 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher, evento histórico realizado em 1995 na China e que reuniu mais de 40 mil mulheres. É considerado um marco na luta pela equidade de gênero.
Na ocasião, foram estabelecidas 12 áreas de preocupação sobre os direitos de mulheres e meninas: mulheres e pobreza, educação e capacitação de mulheres, mulheres e saúde, violência contra a mulher, mulheres e conflitos armados, mulheres e economia, mulheres no poder e na liderança, mecanismos institucionais para o avanço das mulheres; direitos humanos das mulheres, mulheres e a mídia, mulheres e meio ambiente e direitos das meninas.
Na área da comunicação, Télia Negrão diz que teve avanços importantes nessas três décadas, como legislações, normativas das políticas públicas, estudos e pesquisas. “Mas vivemos desafios como reféns das globaltechs, de sistemas estandardizados que nos submetem a um tipo de narrativa que nos remete a retrocessos civilizatórios”, observa.
Para as organizadoras do Diálogo, a comunicação tem um valor central, como constituinte do campo simbólico no qual se nutre a cultura, fundamental para promover mudanças comportamentais e culturais que alterem a visão da sociedade sobre as mulheres e das próprias mulheres sobre si mesmas, num processo de empoderamento pessoal e coletivo.
“Se na época da Conferência já sabíamos que a informação era algo muito poderoso, não tínhamos ainda a ideia de que a informação seria tão disputada como é agora”, expõe a painelista.
Foi criado há cinco anos por mulheres jornalistas para abordar a comunicação na perspectiva de gênero e interseccional, as linguagens e narrativas da mídia que envolvem gênero, estudos e perspectivas para combater a violência em todas as suas facetas.
Por meio de projeção de filmes, debate sobre livros, roda de conversa, palestras, atos, ações de imprensa e entrevistas esse grupo de jornalistas gaúchas pontua avanços e desafios da inserção das mulheres nos debates e espaços públicos.
Entre as atividades realizadas estão a projeção e debate do filme Torre das Donzelas, de Susanna Lira, a divulgação do livro Histórias de morte matada contadas feito morte morrida: a narrativa de feminicídios na imprensa, das jornalistas Niara Oliveira e Vanessa Rodrigues, a palestra Cadê o nome da mãe? O apagamento dos sobrenomes maternos nos registros públicos, com a genealogista Cláudia Antonini, o debate e divulgação com a jornalista, pesquisadora e escritora Christa Berguer sobre o livro Jurema Finamor – uma jornalista silenciada; mobilização pela cobertura do feminicídio e do júri do assassino da jovem kaingang Daiane Griá Sale, em Redentora, no norte gaúcho, e ações pelo uso da linguagem inclusiva, entre outras iniciativas.
O quê: Diálogos Amelie – Mulheres e mídia: empoderamento ou misoginia?
Data e horário: 26 de março, 19h
Local: Espaço Amelie – Rua Vieira de Castro, 439 – Porto Alegre/RS
Entrada franca