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Foto: Paulo Roberto Silva/ALRS
Apesar de enfrentar três enchentes no Rio Grande do Sul, o Movimento Sem Terra (MST) celebrou a produção de 14 mil toneladas de arroz agroecológico na safra 2024/2025 (equivalente a aproximadamente 300 mil sacas) no estado. O festejo ocorreu na 22ª edição da Festa da Colheita do Arroz Agroecológico, realizada no no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão (RS) na quinta-feira, 20. O evento retornou à cidade depois de dois anos e é considerado um dos maiores símbolos de resistência da agricultura familiar no estado.
De acordo com o MST após o impacto devastador das enchentes que atingiram a região no ano passado, a festa, que é um marco da luta pela reforma agrária e pela soberania alimentar, foi celebrada com grande entusiasmo e esperança por mais de cinco mil pessoas.
O diferencial do arroz agroecológico está na utilização de Bioinsumos ao invés de fertilizantes químicos. Como resultado, o grão orgânico obtém mais qualidade e menos riscos para os consumidores, por não conter agrotóxicos durante o plantio.
Dentre as autoridades presentes, compareceu o deputado estadual Adão Pretto Filho (PT-RS), autor da lei que institui a Política Estadual de Fomento à Agricultura Regenerativa, Biológica e Sustentável do Rio Grande do Sul. De acordo com o parlamentar, a proposta é que o governo ofereça subsídios para uma agricultura mais limpa, livre de agrotóxicos.

Foto: Paulo Roberto Silva/ALRS
“A cada dia, recebemos mais relatos de famílias do campo que são afetadas pelo uso abusivo de veneno nas lavouras. A nossa proposta é que os bancos públicos tenham linhas de crédito diferenciadas para que os produtores e cooperativas possam financiar biofábricas dentro das propriedades. Isso dá mais autonomia ao agricultor e permite aumento de produção, além de tornar o solo mais resiliente a eventos climáticos, como a estiagem e enchentes”, afirma o deputado, que defende que o caminho para a agricultura passa pelo fortalecimento da agroecologia.
Na mesma linha, o líder do MST, João Pedro Stédile, que durante sua fala enalteceu a produção de arroz agroecológico do Movimento. Ele também aproveitou para cobrar do governo federal por mais investimento em reforma agrária. Stedile ainda destacou que é necessário importar tecnologia da China para equipar com maquinários os assentamentos.
“Essa bela experiência serve para provar para o agronegócio que só a agroecologia salva a natureza e produz alimento de verdade. Precisamos massificar a agroecologia, sementes, biofertilizantes e máquinas agrícolas adequadas com as necessidades”, disse.

João Pedro Stédile e Lara Rodrigues, do MST
Foto: Paulo Roberto Silva/ALRS
Lara Rodrigues, dirigente do MST, destacou a resiliência dos assentados da reforma agrária após a enchente de 2024. “Quando nós afirmamos que “reforma agrária popular para o Brasil alimentar”, não estamos falando apenas de alimentos. Nós estamos implementando um projeto de país. Para isso acontecer, precisamos que o governo federal seja nosso parceiro. Nós produzimos alimentos, produzimos cultura e produzimos seres humanos melhores”, afirma.
Durante a festa, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, adiantou que os armazéns da companhia estão sendo reestruturados e que haverá compra do governo federal do arroz agroecológico produzido pelo MST. Ele parabenizou os produtores de arroz orgânico do Rio Grande do Sul pela postura de coragem após as enchentes.
“Se estamos aqui, menos de um ano depois da enchente que levou 30% dos estoques de arroz dos assentamentos, celebramos a maior colheita de arroz orgânico que ja tivemos, é graças à força dos assentados, mas é também pela relação que vocês têm com a terra, devolvendo para ela toda a generosidade que ela merece”, destacou.

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto (ao centro da mesa) anunciou oficialmente a retomada dos estoques de grãos da Conab
Foto: Catiana Medeiros/Conab
Nesta sexta-feira, 21, pela manhã, Edegar fez o anúncio oficial da antecipação do prazo da compra pública de arroz. A aquisição feita pelo governo, que estava prevista para agosto, vai acontecer a partir de abril. O objetivo é garantir um preço mínimo para os produtores e controlar a queda do valor pago pela saca. Quem optar por vender o estoque do grão para a Conab, receberá R$81,05 por saca. Segundo ele, essa ação vai beneficiar os produtores de arroz do Rio Grande do Sul, ao mesmo tempo em que vai ser o start para a retomada da formação de estoques públicos de arroz, o que tb tem a ver com o preço dos alimentos.