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Carta será lida no dia 11 de agosto no pátio das Arcadas, Largo São Francisco, junto à Faculdade de Direito da USP
Foto: USP/Divulgação
A Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito atingiu 60 mil assinaturas nesta quarta-feira, 27. Organizadores do documento que remonta a uma iniciativa similar que mobilizou o país em 1977 agora disponibilizaram a possibilidade de novas adesões via site oficial do manifesto.
Em menos de 24 horas, o número de assinaturas saltou de três mil para mais de 60 mil.
No dia 11 de agosto, o documento será lido publicamente no pátio das Arcadas, Largo São Francisco, onde fica a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
A carta recorre a argumentos contundentes para defender a democracia e o sistema eleitoral brasileiro e tem por inspiração a proclamação de direitos da chamada de Carta aos Brasileiros, lida no mesmo local há 45 anos.
Era o auge da ditadura militar. Importantes juristas do Brasil condenaram na data que marca a promulgação da lei que criou os primeiros cursos jurídicos no Brasil (um em São Paulo e outro em Olinda em 1827) o regime de exceção que tomava conta do Brasil desde o golpe de 1964.
Lida pelo jurista e professor universitário Goffredo da Silva Telles Júnior, um intelectual que repudiava o marxismo, a Carta aos Brasileiros teve imensa repercussão e foi destaque em toda a imprensa nacional.
Traduzido para diversas línguas, o documento chegou a ser manchete também nos principais jornais do mundo.
A Carta de 2022 ressalta que “ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional” e conclui que “no Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições. Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona: Estado Democrático de Direito Sempre!”.
Entre os signatários, Carlos Ayres Britto, Carlos Velloso, Celso de Mello, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Eros Grau, Marco Aurélio Mello, Sepúlveda Pertence, Sydney Sanches e André de Carvalho Ramos, ministros eméritos do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mas, não só juristas assinam a Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito.
Se o manifesto de 1977 tinha pequenas exceções fora do mundo do Direito, como o linguista Antonio Candido e o bispo católico de Bauru (SP), Dom Cândido Padin, a nova versão pretende ser ainda mais plural.
Nomes de peso do empresariado nacional estão prestigiando a carta. Entre eles, Roberto Setubal e Candido Bracher (Itaú Unibanco), Pedro Passos e Guilherme Leal (Natura), Eduardo Vassimon (Votorantim) e Horácio Lafer Piva (Klabin)
Personalidades da área cultural também figuraram nos primeiros três mil nomes presentes. São personalidades como os compositores Chico Buarque e Arnaldo Antunes, o cineasta João Moreira Salles, a atriz Alessandra Negrini e os atores Antonio Grassi e Eduardo Moscovis.
Pedro Malan (ex-ministro da Fazenda do governo FHC) e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga também assinam entre economistas e professores das mais diversas instituições de ensino do país.
Dos diversos jornalistas, destacam-se Juka Kfouri, José Trajano, Eugênio Bucci e Miguel Matos. Na área do esporte, Walter Casagrande e Raí puxam a lista.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e as demais centrais sindicais em conjunto com os movimentos sociais e populares prometem também fazer do dia 11 de agosto um marco para a mobilização nacional contra os ataques à ordem democrática no Brasil.
A ideia é reforçar a defesa do processo eleitoral brasileiro. Reuniões estão sendo realizadas para definir as formas de atuação, locais e horários das manifestações.
“Temos de ocupar as ruas, lutando e mostrando a nossa força – mostrando para o atual governo, genocida, que o povo brasileiro é um povo trabalhador e não abre mão do direito de escolher quem quer para governar o país, sem se submeter a tentativas golpistas de questionar o resultado das urnas”, diz Milton Rezende, secretário-adjunto de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT Nacional.
O dirigente registra ainda que no dia 10 de setembro também haverá um dia de mobilização em defesa da democracia e por eleições livres. Será, segundo Rezende, uma resposta aos ataques que Bolsonaro deve fazer no Dia da Independência, 7.