Sindicatos denunciam inconstitucionalidades na privatização da Eletrobras

Federações, confederações e sindicatos protocolaram denuncia de 28 páginas no TCU, apontando quais artigos da Constituição são feridos pela MP aprovada no Congresso
Usina de Tucuruí, no Pará, controlada pela Eletronorte, subsidiária da Eletrobras

Usina de Tucuruí, no Pará, controlada pela Eletronorte, subsidiária da Eletrobras

Foto: Beto Hacker/ Agência Senado

Na última terça-feira, 22, dirigentes de federações, confederações e sindicatos dos urbanitários se reuniram por meio de uma vídeoconferência com uma equipe de técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), quando a categoria protocolou denúncia sobre a inconstitucionalidade da MP 1.031.

A MP foi aprovada na segunda-feira, 21, na Câmara dos Deputados e encaminhada para sanção presidencial. De acordo com a Associação de Empregados da Eletrobras (Aeel), a MP  fere dez artigos da Constituição Federal.

Em 28 páginas, a Aeel explica ao TCU cada artigo da Constituição que estaria sendo afrontado pela medida, questiona a falta de transparência do processo, além de acusar a proposta de ir contra a soberania e cidadania (art 1º); contra o princípio da criação de uma sociedade justa e garantia de desenvolvimento (art 3º); afrontar o Interesse Nacional, investimentos de capital estrangeiro, reinvestimento e regulação a remessa de lucros (Art 172º) e afrontar a segurança nacional (art 173º).

A presidente do TCU, ministra Ana Arraes, designou uma equipe técnica para analisar a denúncia e ontem foi realizada uma audiência entre os técnicos e Fernando Neves, diretor do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sindurb-PE) e da Federação Regional dos Urbanitários do Nordeste (Frune); Emanuel Mendes, diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Energia do Rio de Janeiro e Região (Sintergia), da Federação Nacional dos Ubanitários (FNU),  e da Associação de Empregados da Eletrobras (Aeel); Barbosa Filho – Barbosinha – diretor do Sindurb-PE e da Frune; Paulo de Tarso, presidente da da Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU),  e Wellington Araújo Diniz, diretor do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (Stiu-MA) e da Federação Nacional dos Ubanitários (FNU). Também participou da reunião o deputado Aluisio Lessa (PSB/PE).

Parlamentares de oposição ao governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), autor da proposta de privatização, também pretendem recorrer à Justiça para barrar a venda da estatal de energia.

O líder da oposição, Alessandro Molon (PSB/RJ), deve apresentar ainda nesta semana uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a proposta.

Diversos partidos da oposição devem assinar o documento, como o PT, PSB, PCdoB, PSOL, Rede e PDT.

Senadores como Cid Gomes (PDT/CE) e Álvaro Dias (Podemos/PR) também prometem levar a MP à Justiça. Entre os pontos questionados estão a urgência necessária para edição de medidas provisórias e a inclusão de emendas não relacionadas à capitalização da estatal, como a contratação de térmicas e PCHs.

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