Elite das universidades paulistas pede impeachment de Bolsonaro

Médicos, advogados e engenheiros oriundos das mais tradicionais instituições de ensino superior paulistas responsabilizam a conduta do presidente pelo colapso do país em várias frentes
Manifestação de alunos da USP contra cortes de verbas na educação, em 2019

Manifestação de alunos da USP contra cortes de verbas na educação, em 2019

Foto: Cecília Bastos/ Jornal da USP/ Arquivo

Cresce em São Paulo movimento de ex-alunos de faculdades de ponta que estão pedindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. São médicos, advogados e engenheiros das mais tradicionais instituições de ensino superior que estão se mobilizando para se somar aos panelaços e carreatas promovidas iniciadas nesse final de semana em todo o país.

Em comum a essa elite de profissionais graduados, a responsabilização de Bolsonaro pela falta de políticas de combate à pandemia. Eles são unânimes ao considerar desastrosa a conduta do presidente em várias frentes – indiferença à pandemia que já causou a morte de mais de 217 mil pessoas, cortes nos investimentos em tecnologia, degradação do meio ambiente, desprezo pela ciência.

Manifestos de médicos

1968: Passeata de estudantes em São Paulo contra os acordos MEC-Usaid

1968: Passeata de estudantes em São Paulo contra os acordos MEC-Usaid

Foto: Memorial da Democracia

Na última quarta-feira, 20, estudantes oriundos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a “Casa de Arnaldo”, encaminharam carta ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

No documento, os médicos formados pela USP classificaram o enfrentamento da Covid-19 pelo governo federal como uma “condução inepta, irresponsável e criminosa”.

Ao todo, até o envio, 700 profissionais assinaram o manifesto que foi intitulado Descaso com a vida. Em nota, a Associação dos Antigos Alunos da instituição (Aaafmusp) informou que não é idealizadora da Carta do Impeachment que circula nas redes sociais.

“Em defesa da saúde e da vida de nosso povo, entendemos que é preciso exigir do presidente da Câmara dos Deputados a imediata abertura do processo de impedimento do Sr. Jair Messias Bolsonaro, dentro das normas legais e constitucionais por crime de responsabilidade e prevaricação. É preciso dar um basta ao descaso deste governo. Basta! Em defesa do SUS! Em defesa da vida! Pela imediata abertura do processo de impeachment!”, diz a carta.

Já médicos que estudaram na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) iniciaram um abaixo-assinado que contabilizou até esse fim de semana mais de 400 assinaturas. A petição acusa diretamente o presidente por crime de responsabilidade.

Advogados e engenheiros

Assembleia de alunos da USP durante a greve geral de 2011

Assembleia de alunos da USP durante a greve geral de 2011

Foto: USP Memória/ Divulgação

A tradicional Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, não ficou de fora. Manifesto de advogados graduados nos bancos por onde passaram presidentes da República, governadores, ministros de Estado e do Supremo Tribunal Federal (STF) arregimentou mais de 1.450 assinaturas. Entre os que assinaram a petição estão nomes como Dora Cavalcanti, Igor Tamasauskas, Pierpaolo Bottini, Aloísio Lacerda Medeiros e os professores Sebastião Tojal e Helena Lobo.

“Precisamos repetir para entendermos a gravidade da situação: nosso Ministério da Saúde, contrariando a ciência, o bom senso, o dever de nos prover de proteção, foi repreendido publicamente por faltar à verdade com um país assolado com mais de 200 mil oficialmente mortos por Covid. Mentiu para agradar o líder de uma turba de genocidas que acabaram alçados a dirigentes do nosso país numa das piores trapaças da história”, dizem em trecho do manifesto.

O ritmo é mais acelerado entre engenheiros formados pela Escola Politécnica da USP. Em menos de cinco horas, os organizadores conseguiram mil adesões para o manifesto que condena cortes nos investimentos em tecnologia, a degradação do meio ambiente. Os engenheiros que se intitulam “politécnicos” afirma que a pandemia da covid-19 escancarou o desprezo à ciência e ao papel do Estado como gestor de crises.

Eles defendem ainda recursos financeiros para auxiliar a população mais pobre, pedem isolamento social e a ampla vacinação contra o coronavírus. O documento tem a expectativa de reunir 5 mil assinaturas e relaciona uma somatória de crimes de responsabilidades cometidas por Bolsonaro.

Para os formados pela Politécnica, as medidas necessárias para tirar o país da crise que eles apontam não serão possíveis enquanto um presidente da República age no sentido oposto.

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