Dallagnol será investigado pelo Conselho Nacional do MP

Conselheiros protocolaram pedido de apuração da conduta do procurador e de outros membros do MPF que participaram das conversas vazadas pelo Intercept
Troca de mensagens mostra que Dallagnol e outros procuradores tentaram impedir entrevista de Lula à Folha: eles deixam claro que temem vitória eleitoral do candidato do PT, Fernando Haddad

Troca de mensagens mostra que Dallagnol e outros procuradores tentaram impedir entrevista de Lula à Folha: eles deixam claro que temem vitória eleitoral do candidato do PT, Fernando Haddad

Foto: MPF/ Divulgação

Quatro conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) formalizaram nesta segunda-feira, 10, pedido formal de investigação das condutas do procurador Deltan Dallagnol e de outros integrantes do Ministério Público Federal envolvidos com o ex-juiz federal Sergio Moro no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. Antes do escândalo, Dallagnol era cotado no MPF como o mais forte candidato à sucessão de Raquel Dodge na Procuradoria Geral da República (PGR).

“Em primeiro lugar, precisamos verificar se o conteúdo (das mensagens divulgadas) é verdadeiro. Caso isso se confirme, o CNMP não pode deixar de examinar o assunto”, disse o conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello, ouvido pelo jornal Folha S. Paulo.

Quatro conselheiros assinaram pedido de investigação da conduta do procurador

Quatro conselheiros assinaram pedido de investigação da conduta do procurador

Imagem: Reprodução

Nas gravações divulgadas no último domingo, 9, pelos portais The Intercept e The Intercept Brasil, Dallagnol aparece trocando informações com Moro, quando o atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro era o responsável pela Lava Jato em Curitiba. A interação, que envolve outros membros do MPF, configura-se em cooperação entre a parte acusatória e a parte julgadora, o que é vedado pela Constituição Brasileira. Tanto Moro quanto o MPF vêm dando declarações minimizando as acusações e negando que haja ilicitude nas conversas gravadas. No entanto, nenhum dos dois desmentiu o conteúdo. O episódio mais explícito de que houve um conluio entre procuradores e juiz é a tentativa de impedir uma entrevista do ex-presidente Lula antes das eleições de 3 de outubro.

Nas conversas divulgadas pelo Intercept, Dallagnol e outros procuradores aparecem buscando soluções para impedir a entrevista de Lula à jornalista Mônica Bergamo, da Folha e deixam claro que temem uma vitória eleitoral do candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, nas eleições de 2018.

A petição de abertura de investigação sobre o conteúdo do material divulgado com exclusividade pelo Intercept é assinada por Bandeira de Mello, Gustavo Rocha, Ercik Venâncio Lima do Nascimento e Leonardo Accioly da Silva. A corregedoria do CNMP ainda não se manifestou.

CRÍTICAS AO STF – Dallagnol já responde a um processo administrativo instaurado no dia 23 de abril para apurar manifestações do procurador sobre a decisão do STF de transferir processos de Curitiba para Brasília, durante entrevista à CBN em agosto de 2018. Ao comentar sobre a decisão da Segunda Turma do STF de transferir termos da colaboração premiada da Odebrecht da Justiça Federal no Paraná para a Justiça Federal e eleitoral no Distrito Federal, o procurador afirmou que ministros do STF agiam como “panelinha” e que a decisão de transferir os autos de comarca passava uma “mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”. “Os três mesmos de sempre do Supremo Tribunal Federal que tiram tudo de Curitiba e mandam tudo para a Justiça Eleitoral e que dão sempre os habeas corpus, que estão sempre se tornando uma panelinha assim… que mandam uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”, queixou-se Dallagnol, de acordo com a transcrição da reclamação disciplinar apresentada contra ele no CNMP pela Corregedoria. Em 2 de abril, o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) arquivou o inquérito administrativo aberto contra o procurador sobre o mesmo episódio.

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