Mulheres são maioria na formação científica brasileira

Porém, estudo revela que, mesmo com formação e qualificação, as mulheres representam apenas 43% do corpo docente da pós-graduação

Brasil forma muitas cientistas, mas poucas permanecem na carreira acadêmica

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As mulheres são a maioria entre mestres e doutores no Brasil: 57% dos profissionais pós-graduados e dos pós-graduandos, segundo o Plano Nacional de Pós-Graduação 2025-2029 (PNPG).

No recorte das grandes áreas do conhecimento, elas são maioria em sete das nove: agrárias, biológicas, saúde, humanas, sociais aplicadas, linguística, letras e artes e multidisciplinar. A predominância de homens é nas ciências exatas e da terra e nas engenharias, com 69% e 65%, respectivamente.

Desafios da permanência das mulheres na pós-graduação

Um estudo de doutorado, realizado pela pesquisadora Daniela Atães (Unicamp), constatou que as instituições de educação superior, especialmente as universidades públicas com forte atuação em pesquisa, mantêm estruturas que dificultam o avanço feminino na carreira acadêmica.

Além disso, as melhores oportunidades, como os cargos com dedicação exclusiva, são menos acessíveis às mulheres, o que contribui para uma desigualdade salarial significativa.

“As pessoas podem ter o mesmo tempo de carreira, mas recebem salários diferentes porque não têm a mesma oportunidade de ascender”, afirma a pesquisadora.

Para tentar contornar as desigualdades de gênero, o Ministério da Educação (MEC) investiu na política de concessão de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) às mulheres.

Segundo o MEC, 58% das bolsistas em todo o país são mulheres e 53% das bolsas no exterior também são concedidas a elas.

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*Luigi Pinzetta é estagiário de jornalismo sob supervisão de Valéria Ochôa.

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