Economia
Marchinha de carnaval denuncia exclusão de domésticas do abono do PIS
Ação se inspira em clássico da década de 1950 e cobra do Congresso e Executivo…

Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
A Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do RS (Fecomércio-RS) divulgou os resultados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS) referentes a dezembro de 2025. O levantamento aponta que 85% das famílias estavam endividadas no período, percentual estável em relação ao mês anterior (85%) e inferior ao observado em dezembro de 2024 (90,8%).
Dentre os principais tipos de dívidas que os participantes possuíam até a data, 56,8% corresponde ao cartão de crédito e 52% aos carnês, seguidos de financiamento de carro (8,8%), de casa (5,9%) e crédito pessoal (5,3%).
Em relação às contas em atraso, 25,4% das famílias gaúchas possuem algum débito vencido e não pago. A maior dificuldade em manter as contas em dia está entre as famílias com renda até 10 salários mínimos (31,6%), número abaixo do observado em dezembro de 2024 (39,9%). Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o indicador apresentou recuo considerável: 4,7% em dezembro de 2025 em relação ao mesmo período de 2024 (14,2%).
O percentual de famílias que não conseguirão pagar as dívidas em atraso alcançou o menor patamar da série histórica, 1,2% do total de entrevistados. Entretanto, 35,6% afirmaram que conseguirão pagar apenas parte das dívidas em atraso no próximo mês.
Quando se trata de endividamento e inadimplência, um dos indicadores mais relevantes é a parcela de renda comprometida com dívidas. Esse indicador registra altas consecutivas há 14 meses e atingiu 29,5%, o maior valor desde outubro de 2019. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o comprometimento da renda está em 29,9% em dezembro de 2025, enquanto na faixa de maior renda o percentual foi de 27,6%.
Em nota enviada à imprensa, o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac Luiz Carlos Bohn afirmou: “Essa conjuntura, além de aumentar riscos de inadimplência, limita a capacidade de consumo, especialmente daquelas famílias com orçamentos mais limitados, com impactos relevantes na dinâmica do comércio e dos serviços voltados às famílias”.
O estudo considera famílias endividadas como aquelas que possuem dívidas relacionadas à contratação de crédito, como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos. O levantamento não considera contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.
A PEIC é realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens em Porto Alegre ao longo dos dez dias anteriores ao mês de referência e abrange em sua amostra no mínimo 600 famílias. Confira os dados completos e a análise econômica.
*Luigi Pinzetta é estagiário de jornalismo sob supervisão de César Fraga.