Economia
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Nelsa: a economia solidária gera impactos positivos na vida das pessoas, na economia e no meio ambiente
Foto: Rafa Dotti/Brasil de Fato RS
O anúncio foi feito nesta terça-feira, 2, pela presidente da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Estado do Rio Grande do Sul (Unisol/RS), Nelsa Nespolo, durante a abertura da 27ª Feira Estadual de Economia Popular e Solidária, no Largo Glênio Peres, centro histórico de Porto Alegre.
Segundo Nelsa, as seis Casas de Economia Solidária serão espaços permanentes de formação e comercialização, localizadas nos municípios de Pelotas, Caxias do Sul, Santana do Livramento, São Leopoldo, Passo Fundo e Porto Alegre. Das seis Casas, duas já existem e serão reformadas, qualificadas e ampliadas, que são a de Porto Alegre e a de Santana do Livramento. As outras quatro são novas.
A iniciativa foi aprovada pelo Conselho Estadual de Economia Solidária e executada pela Unisol/RS, com investimento de R$ 3 milhões, que custearão as sedes, equipamentos e gestão. O recurso é do Governo Federal via Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária (Senaes) e da Fundação Banco do Brasil, integrando o programa Reconstrução RS.
Durante o evento, o secretário Nacional da Economia Solidária, Gilberto Carvalho, acentuou que o governo federal está retomando o fomento e investimento após a destruição da secretaria, “reduzida a uma mesinha dentro do Ministério do Trabalho e Emprego, ao final do governo anterior”.
Ele reforçou o papel da sociedade na construção de políticas transformadoras. “Quem muda o país é a sociedade que luta pelos seus direitos. A economia solidária é outra forma de produzir, comercializar e consumir. É uma filosofia de vida baseada na solidariedade. Pressionem mais, a economia solidária precisa ser a economia do país.”
O presidente interino da Fundação Banco do Brasil, Gilson Lima, participou da abertura da Feira e da entrega, na segunda-feira, de quatro caminhões zero quilômetro para cooperativas de reciclagem de Canoas e São Leopoldo, que perderam equipamentos durante a enchente.
Segundo ele, entre as ações do Governo Lula estão R$ 15 milhões em edital para redes de cooperação solidária; R$ 26,5 milhões para retomada de empreendimentos na Reconstrução RS, com apoio da Fundação Banco do Brasil; R$ 12 milhões para apoio a catadores afetados pela enchente, além de linhas de financiamento e agentes de economia solidária no estado.
O número atualizado de empreendimentos de economia solidária no estado e no país está sendo consolidado por meio do Cadastro de Empreendimentos de Economia Solidária (CadSol), ferramenta vinculada ao Gov.br que dará suporte à formulação de políticas públicas mais completas.

27ª edição da Feira tem dias ampliados de uma para duas semanas – de 1 a 13 de dezembro
Foto: Rafa Dotti/Brasil de Fato RS
A 27ª Feira Estadual de Economia Popular e Solidária está com 84 estandes com produtos da agroindústria familiar, confecção, artesanato e outros segmentos. Pela primeira vez, terá duas semanas de duração, e os expositores não tiveram custos com os estandes.
“É um dia de felicidade compartilhada poder realizar mais uma grande feira. Esperamos encantar o público, pois cada produto carrega um pouco do sonho de quem o produz”, destacou Nelsa na abertura da Feira.
Referência nacional no setor, a dirigente define a economia solidária como uma estratégia para construir um mundo melhor, gerando impactos positivos na vida das pessoas, na economia e no meio ambiente. Mas destaca a importância de encantar os jovens para fortalecer esse movimento.
Atualmente, mais de 70% da força de trabalho da economia solidária é composta por mulheres.
Presente em todas as 27 edições da Feira, Oraides Santos, do grupo Toque de Anjo, destaca o orgulho de trabalhar com vestuário customizado a partir de tecidos doados pela indústria têxtil. “A economia solidária é tudo para mim”, afirma.
Estreante na Feira, Mariana Dade, do coletivo Filhas da Terra (Pelotas), apresenta saboaria artesanal, óleos essenciais e incensos de ervas, animada com o potencial da Feira. “O processo é coletivo e os resultados são partilhados. Os recursos são distribuídos entre quem produz”, explica.
Entre os expositores impactados pelas enchentes está o produtor de cachaças especiais de Muçum, Luis Fontoura, participante da feira há 10 anos, perdeu cinco hectares de canavial, área que ainda não pode ser reutilizada para cultivo.