Renda do trabalho tirou cerca de 1 milhão de lares do Bolsa Família em novembro

Desde 2023, mais de 8,6 milhões deixaram o programa devido ao trabalho ou à melhoria das condições financeiras

Renda do trabalho tirou cerca de 1 milhão de lares do Bolsa Família em novembro

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

O programa Bolsa Família chega a 18,65 milhões de lares em novembro de 2025, com valor médio de R$ 683,28 e investimento de R$ 12,69 bilhões. O programa segue como a principal política de transferência de renda do país, alcançando 48,5 milhões de pessoas, a maioria mulheres, que representam 83,9% das titulares. Mas, junto do alcance, cresce também o indicador do número de famílias que estão deixando o benefício por terem superado a pobreza.

Somente no mês de novembro, 958 mil famílias saíram do Bolsa Família porque tiveram aumento de renda. Desde 2023, mais de 8,6 milhões deixaram o programa devido ao trabalho ou à melhoria das condições financeiras, parte de um universo de quase 24 milhões de brasileiros que ascenderam socialmente nos últimos anos.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). No acumulado de saídas até outubro, 2.069.776 famílias deixaram o programa, mas esse número se dá por diversos motivos: aumento de renda, término da Regra de Proteção, desligamento voluntário, entre outros.

Números do Bolsa Família – Novembro 2025

Renda do trabalho tirou cerca de 1 milhão de lares do Bolsa Família em novembro

Fonte: MDS

Renda do trabalho tirou cerca de 1 milhão de lares do Bolsa Família em novembro

Número de famílias contempladas por estado e região

Fonte: MDS

Também, o Brasil atingiu no trimestre encerrado em outubro a taxa de desemprego de 5,4%. É o menor índice registrado pela série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012. O período de três meses terminou também com recorde no número de pessoas com carteira assinada e no rendimento médio do trabalhador. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada nesta sexta-feira, 28.

Emprego e Renda mudaram a vida de Júlia

A gaúcha Julia Reis, 28 anos, moradora do bairro Lajeado, no Extremo Sul de Porto Alegre, faz parte dessa estatística. Mãe de Isabella, de 8 anos, Julia recebeu o Bolsa Família por oito anos. “Ele era fundamental para garantir comida em casa e manter tudo em dia enquanto eu criava a Isabella praticamente sozinha”, lembra.

A mudança começou há oito meses, quando Julia conseguiu emprego com carteira assinada como doméstica. Com a renda fixa, sua família ultrapassou o limite de permanência e teve o benefício interrompido. A transição ocorreu dentro da Regra de Proteção, mecanismo que permite a beneficiários empregados permanecerem por até um ano recebendo 50% do valor, justamente para evitar rupturas bruscas, uma regra que em novembro contempla 2,42 milhões de famílias.

“A notícia deu medo no início, claro, porque o Bolsa Família segurou muitas pontas. Mas, também, senti orgulho. Era sinal de que as coisas estavam melhorando. Acho justo que o benefício vá para quem mais precisa”, diz. Mesmo assim, Julia considera que o valor poderia ser maior diante do custo de vida.

Renda do trabalho tirou cerca de 1 milhão de lares do Bolsa Família em novembro

Número de famílias contempladas por estado e região

Fonte: MDS

Os dados nacionais reforçam a dimensão do programa: mais de 8,2 milhões de crianças de até seis anos recebem o Benefício Primeira Infância; gestantes, nutrizes e jovens de 7 a 18 anos somam outros 15 milhões de beneficiários de adicionais específicos.

No recorte territorial, todas as 5.570 cidades brasileiras são atendidas e, em novembro, os 497 municípios do Rio Grande do Sul tiveram pagamento unificado no primeiro dia devido às ações de resposta a enchentes e desastres climáticos.

Além do apoio financeiro, o ministro Wellington Dias destaca que a saída de famílias do programa está diretamente ligada ao reforço nas políticas de qualificação e incentivo ao trabalho.

“A gente dá a mão para as pessoas para que possam se qualificar, estruturar pequenos negócios e garantir renda própria”, afirmou em entrevista à EBC.

Com mais estabilidade, Julia agora planeja investir na própria formação e oferecer mais segurança para a filha.

“A vida segue difícil, mas hoje eu sei que consigo andar com as minhas próprias pernas. O Bolsa Família foi essencial para eu chegar até aqui — e ainda é para milhões de famílias.”

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