Isenção do IR para salários até R$ 5 mil vai beneficiar 25 milhões de brasileiros

Centrais sindicais comemoram "conquista histórica". Ferramenta gratuita permite simular quanto cada trabalhador deixará de pagar por mês e por ano com a isenção para quem ganha até R$ 5 mil
Calculadora on-line do Dieese mostra impacto das novas regras de isenção do IRPF

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical classificam o avanço da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, na Câmara e no Senado, como uma conquista histórica e uma vitória decorrente da luta do movimento sindical e dos trabalhadores

Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Com a aprovação pelo Senado do Projeto de Lei 1.087/2025 que agora será sancionado pelo Executivo para virar Lei a partir de 2026, amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), contemplando quem ganha até R$ 5 mil. Cerca de 25 milhões de brasileiros vão pagar menos impostos, enquanto outros 200 mil contribuintes terão algum aumento na tributação. Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, haverá uma redução parcial dos valores a serem pagos – quanto menos ganhar, maior a redução. Os contribuintes com rendimentos acima de R$ 7.350 não serão contemplados pela medida.

O governo calcula que cerca de 25 milhões de brasileiros vão pagar menos impostos, enquanto outros 200 mil contribuintes terão algum aumento na tributação.

Quem vai pagar mais imposto? 

Para compensar a perda de arrecadação com a isenção, o projeto prevê uma alíquota extra progressiva de até 10% para aqueles que recebem mais de R$ 600 mil por ano, o equivalente a R$ 50 mil por mês. O texto também estabelece a tributação para lucros e dividendos remetidos para o exterior com alíquota de 10%.

Contribuintes pessoas físicas de alta renda recolhem hoje, em média, uma alíquota efetiva de 2,5% de IR sobre seus rendimentos totais, incluindo distribuição de lucros e dividendos. Trabalhadores em geral pagam, em média, 9% a 11% de IR sobre seus ganhos.

A partir de quando vai valer a mudança? 

A nova regra vai valer a partir do ano que vem, caso seja sancionada até dia 11 de novembro. O governo já sinalizou que irá sancionar a medida até esta data.

Dessa forma, a partir de janeiro de 2026, quem ganha até R$ 5 mil deixa de pagar ter o imposto descontado e, quem ganha até R$ 7.350, pagará menos.

Na prática, a isenção terá impacto na declaração do IRPF 2027, com o ano-base 2026.

Calculadora on-line do Dieese

Quer saber quanto vai sobrar no seu bolso com a nova isenção do Imposto de Renda (IR)? O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) lançou uma calculadora on-line que mostra, de forma simples e rápida, quanto cada trabalhador e trabalhadora vai economizar com a mudança aprovada recentemente pelo Congresso Nacional.

Basta informar, ao acessar a calculadora do Dieese, o valor do salário bruto para saber quanto o trabalhador paga atualmente de IR, quanto passará a pagar com a isenção, além de quanto economizará por mês e ao longo de todo o ano. A mudança, aprovada pelo Senado Federal e que entra em vigor a partir de janeiro de 2026, representa um importante alívio para cerca de 20 milhões de brasileiros e brasileiras, especialmente das que mais sentiram o peso da defasagem histórica na tabela do IR.

A proposta de isenção e redução do IRPF faz parte do compromisso do governo federal de tornar o sistema tributário mais justo, beneficiando quem ganha menos e cobrando de forma mais equilibrada dos que têm maiores rendas. Acesse aqui a calculadora do Dieese.

Conquista histórica

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical classificam o avanço da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, na Câmara e no Senado, como uma conquista histórica e uma vitória decorrente da luta do movimento sindical e dos trabalhadores. A aprovação da isenção tem sido alvo de campanha de defesa de diversas centrais sindicais. O texto com a matéria segue para sanção do presidente Lula.

“É mais uma grande e histórica vitória do movimento sindical para os trabalhadores e trabalhadoras, que novamente demonstra a nossa relevância para a sociedade brasileira e para o desenvolvimento do país, no rumo da justiça tributária e social. A luta faz a lei!”, disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, em nota, ao comentar a aprovação no Senado.

A CUT destacou que a isenção beneficiará mais de 20 milhões de brasileiros e defendeu a taxação da parcela mais rica da população.

“A taxação dos mais ricos é necessária para compensar os R$ 25,84 bilhões anuais que, segundo o Ministério da Fazenda, deixarão de ser arrecadados com a ampliação da faixa de isenção”, divulgou a entidade, em nota.

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