Conab anuncia compra de arroz e prevê safra recorde no Brasil

Medida inclui 110 mil toneladas de arroz de produtores gaúchos e catarinenses e safra nacional estimada em 345,2 milhões de toneladas
Conab anuncia compra de arroz e prevê safra recorde no Brasil

A expectativa da Conab é comprar 110 mil toneladas de arroz, pagando até 15% acima do preço mínimo estabelecido, acrescido de custos logísticos e financeiros até a entrega do produto.

Foto: Giovani Wrasse/Irga

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou, nesta quarta-feira, 13, a autorização para adquirir arroz de produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina por meio de Contratos de Opção de Venda (COV). A medida, publicada no Diário Oficial da União, integra a retomada dos estoques públicos e busca incentivar a produção do grão, além de apoiar agricultores diante da queda de preços no mercado. As medidas são motivadas pela queda no preço do arroz, diante da boa oferta do produto no mercado. Além da expectativa de uma produção mundial elevada, a retomada das exportações asiáticas também interfere, ampliando a oferta no mercado internacional.

A operação, autorizada pelos ministérios da Fazenda, da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, prevê recursos de R$ 181,1 milhões.

A expectativa é comprar 110 mil toneladas de arroz, pagando até 15% acima do preço mínimo estabelecido, acrescido de custos logísticos e financeiros até a entrega do produto. O primeiro leilão deve ocorrer até o fim da próxima semana.

“Esta ação é fruto de um diálogo permanente com o setor e de uma grande mobilização que fizemos no Governo Federal. É uma compra em que pagamos mais do que o mercado neste momento, garantindo preço justo ao produtor e segurança para a população”, afirmou o presidente da Conab, Edegar Pretto.

Além dos COV, a Companhia poderá adquirir até 20 mil toneladas de arroz via Aquisição do Governo Federal (AGF), dentro da Política de Garantia de Preços Mínimos. No fim de 2024, uma primeira rodada de COV já havia negociado cerca de 91,7 mil toneladas. A decisão atual ocorre em um cenário de boa oferta interna, influência da produção mundial e retomada das exportações asiáticas.

Conab anuncia compra de arroz e prevê safra recorde no Brasil

“Esta ação é fruto de um diálogo permanente com o setor e de uma grande mobilização que fizemos no Governo Federal. É uma compra em que pagamos mais do que o mercado neste momento, garantindo preço justo ao produtor e segurança para a população”, afirmou o presidente da Conab, Edegar Pretto

Foto: Catiana de Medeiros / Conab

Safra nacional deve bater recorde, diz Conab

No 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira, 14, a Conab estimou produção de 345,2 milhões de toneladas na safra 2024/25, superando o recorde anterior de 320,9 milhões registrado em 2022/23. O crescimento de 47,7 milhões de toneladas é impulsionado por aumento de área cultivada — 81,9 milhões de hectares (+2,5%) — e recuperação da produtividade média, que passou de 3.722 quilos por hectare para 4.214.

“Essa é a maior safra agrícola da história do Brasil. Temos recordes nas produções de soja, de milho e de algodão e uma safra de arroz acima de 12 milhões de toneladas”, disse Pretto.

A soja deve atingir 169,7 milhões de toneladas (+14,8%), enquanto o milho deve alcançar 137 milhões (+21,5 milhões em relação ao ciclo anterior), com destaque para a segunda safra, de 109,6 milhões. O arroz tem previsão de 12,3 milhões de toneladas (+1,7 milhão), favorecido por clima estável e aumento de área. O algodão deve render 3,9 milhões de toneladas de pluma, novo recorde, e o trigo, 7,81 milhões, próximo à estabilidade.

Queda na produção gaúcha

No Rio Grande do Sul, a estimativa é colher 33,3 milhões de toneladas, queda de 9,6% frente à safra anterior. O estado mantém-se como quarto maior produtor nacional, com 10,4 milhões de hectares cultivados (-0,1%).

Apesar da estiagem, arroz e milho tiveram alta: o milho da primeira safra produziu 5,43 milhões de toneladas (+12%), enquanto o arroz chegou a 8,3 milhões (+15,9%), com rendimento médio de 8.715 quilos por hectare. Já a soja recuou 27,3%, ficando em 14,28 milhões de toneladas, afetada por seca e altas temperaturas.

O feijão, somando as duas safras, totalizou 73,5 mil toneladas (+2,5%), e as culturas de inverno apresentam cenários distintos: o trigo deve ter leve retração (-2,6%), enquanto a aveia e a canola registram expansão expressiva.

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