Governo reage às declarações de Trump e reforça soberania nacional

“A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, afirma o presidente Lula

Governo reage a declarações de Trump e reforça soberania nacional

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O governo brasileiro reagiu, nesta quarta-feira, 9, às declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma rede social. Em nota à imprensa, o Palácio do Planalto reafirmou a soberania do país e repudiou qualquer tentativa de ingerência estrangeira nos assuntos internos do Brasil.

“O Brasil é um país soberano, com instituições independentes, que não aceitará ser tutelado por ninguém”, declarou o governo, em resposta à manifestação pública de Trump.

A nota destacou que o processo judicial contra os envolvidos no planejamento do golpe de Estado é de competência exclusiva da Justiça brasileira e que “não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”.

No campo das plataformas digitais, o texto afirma que a sociedade brasileira rejeita “conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática”. Segundo o governo, “no Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas”, e todas as empresas – nacionais ou estrangeiras – devem operar em conformidade com a legislação brasileira.

O comunicado também desmentiu a alegação de que os Estados Unidos teriam acumulado déficit no comércio com o Brasil. “É falsa a informação sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit de 410 bilhões de dólares no comércio de bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos”, afirma a nota.

Diante da possibilidade de aumento unilateral de tarifas comerciais, o governo brasileiro advertiu: “Qualquer medida será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”.

Davi Alcolumbre e Hugo Motta (presidentes do Senado e da Cãmara)  divulgaram nota conjunta no meio da tarde em que defendem diálogo, mas ressaltam que o Congresso está mobilizado para proteger empregos e aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada em abril.

Nas redes sociais, brasileiros deixaram recados em massa nos perfis de Donald Trump com um pedido simples e objetivo: “Deixe o Brasil em paz!”

Quebra de patentes americanas e barreiras comerciais

A lei permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que apliquem barreiras comerciais, legais ou políticas contra o Brasil. As respostas podem ser:

  • Sobretaxas na importação de bens e serviços
  • Suspensão de acordos ou obrigações comerciais

Em casos excepcionais, suspensão de direitos de propriedade intelectual, como o pagamento de royalties ou o reconhecimento de patentes.

O texto encerra com a reafirmação dos princípios que regem a política externa do país: “A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”.

Ministro da Fazenda afirma que decisão dos EUA carece de racionalidade econômica

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), classificou como “eminentemente política” a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de aumentar as tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 10, em meio ao agravamento das tensões comerciais entre os dois países.

“Eu acredito que essa decisão é uma decisão eminentemente política, porque ela não parte de nenhuma racionalidade econômica”, afirmou o ministro. “Não há racionalidade econômica no que foi feito ontem [quarta], uma vez que os Estados Unidos, como todos sabem, são super arbitrários com relação à América do Sul como um todo, e ao Brasil também”, acrescentou.

Segundo Haddad, não há justificativa técnica ou comercial que sustente o aumento das tarifas, e a medida se insere em um contexto mais amplo de disputas geopolíticas. O governo brasileiro já havia se manifestado oficialmente, por meio de nota, rechaçando qualquer tipo de ingerência externa e reafirmando o compromisso com a soberania nacional e as regras da reciprocidade econômica.

Tiro no pé e possibilidade de fuga

Líderes da oposição convocaram, na noite de quarta-feira, 9, uma reunião de emergência para discutir uma resposta ao tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil, mencionando processos no STF por tentativa de golpe como “perseguições à família Bolsonaro” e informações falsas sobre a balança comercial Brasil/EUA.

A crise se agravou com um vídeo publicado por Eduardo Bolsonaro, no qual o deputado assume a responsabilidade pelo tarifaço, em nome da família. Na gravação, ele ainda endossa ataques ao ministro Alexandre de Moraes e ao STF. A reação foi imediata e negativa entre ministros da Corte, que já investigam Eduardo por obstrução de Justiça.

O encontro terminou com avaliações críticas à medida. “Foi um tiro no pé. Quem é que vai ser a favor disso? Quem é que vai ficar contra o país?”, afirmou um líder do Senado, em condição de anonimato à jornalista Daniela Lima, da GloboNews.

Já a avaliação que corre dentro do STF é de que Trump possa estar preparando terreno para a fuga de Jair Bolsonaro para os EUA.

Governo reage a declarações de Trump e reforça soberania nacional

STF suspeita que Donald Trump possa estar preparando terreno para fuga de Jair Bolsonaro para os EUA

Foto: Redes Sociais

Retaliação ao BRICS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a retórica contra o Brics e afirmou que vai impor uma tarifa adicional de 10% a qualquer país que apoiar o que classificou como “políticas antiamericanas” do grupo. A declaração foi feita no domingo, 6, enquanto os líderes do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul se reuniam no Rio de Janeiro para a cúpula anual.

Trump argumentou que as iniciativas do Brics para reduzir a dependência do dólar norte-americano representam uma ameaça direta à supremacia econômica dos Estados Unidos. A medida anunciada amplia a pressão sobre as relações comerciais dos EUA com países emergentes e ocorre em meio a crescentes tensões geopolíticas.

A pausa de 90 dias imposta pelo governo norte-americano nas tarifas elevadas expirou na quarta-feira, 9. De acordo com a Casa Branca, cartas foram enviadas a dezenas de países para informar sobre a nova taxa de importação dos Estados Unidos. A medida marca a retomada da política tarifária mais agressiva defendida pelo presidente Donald Trump.

Leia o comunicado do governo brasileiro na íntegra:

Nota à Imprensa

Tendo em vista a manifestação pública do presidente norte-americano Donald Trump apresentada em uma rede social, na tarde desta quarta-feira (9), é importante ressaltar:

O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém.

O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais.

No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática.

No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira.

É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos.

Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica.

A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Presidente da República

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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