Economia
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Ação se inspira em clássico da década de 1950 e cobra do Congresso e Executivo…

Preço da carne teve leve queda, mas segue com preços elevados
Foto: Alex Rocha/PMPA
Em setembro, o porto-alegrense precisou trabalhar em média 134 horas e 29 minutos para adquirir uma cesta básica que lhe custou R$ 632, 39. Isso, se ele não fizer parte dos quase 14 milhões de desempregados contabilizados no país. Essa é a conta que o Departamento Intersindical de Economia e Estatística (Dieese) divulgou no levantamento mensal do custo da cesta básica nas capitais brasileiras, nesta quarta-feira, 6 de outubro.
Levando em conta que o salário mínimo vigente no Rio Grande do Sul é de R$ 1.100,00 a cesta básica compromete mais da metade de um salário, 66,08%. Cerca de 1,5 milhão de trabalhadores gaúchos recebem apenas o salário-mínimo regional. Para os técnicos do Dieese, o mínimo regional deveria ser de R$ 5.657,66, ou 5,14 vezes o mínimo vigente.
Isso não bastasse, a cesta básica custou mais caro do que em agosto. O valor do conjunto de bens alimentícios básicos em Porto Alegre, no mês de setembro, registrou alta de 1,16%.

Dieese
Dos treze produtos que compõem o conjunto de gêneros alimentícios essenciais previstos, sete ficaram mais caros: o tomate (14,50%), a batata (8,62%), o café (7,62%), o açúcar (4,51%), o óleo de soja (1,77%) a farinha de trigo (1,64%) e a manteiga (0,70%). Em sentido contrário, seis itens registraram redução de preço: o arroz (-5,79%), a banana (-3,67%), o feijão (-1,05%) a carne (-0,79%), o leite (-0,72%) e o pão (-0,38%).
No levantamento realizado de janeiro a setembro de 2021, nove produtos ficaram mais caros: o açúcar (50,54%), tomate (38,35%), o café (32,17%), a farinha de trigo (19,78%), a carne (16,81%), o pão (9,63%), o feijão (8,74%), o leite (8,84%) e a manteiga (7,48%). Por outro lado, quatro itens estão mais baratos: a banana (-25,42%), a batata (-22,77%), o arroz (-15,24%) e óleo de soja (-1,01%).
Em doze meses, 11 itens da cesta registraram aumento de preços, sendo as maiores altas verificadas no açúcar (60,38%), na batata (47,49%), no café (40,17%), na carne (35,49%) e no óleo de soja (33,74%). Por outro lado, a banana (-12,24%) e o arroz (-3,59%) ficaram mais baratos.
O custo médio da cesta básica de alimentos aumentou em 11 cidades e diminuiu em seis, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Dieese em 17 capitais. As maiores altas foram registradas em Brasília (3,88%). Campo Grande (3,53%), São Paulo (3,53%) e Belo Horizonte (3,49%). As capitais com quedas mais intensas foram João Pessoa (-2,91%) e Natal (-2,90%).
A cesta mais cara foi a de São Paulo (R$ 673,45), seguida pelas de Porto Alegre (R$ 672,39), Florianópolis (R$ 662,85) e Rio de Janeiro (R$ 643,06). Entre as capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta tem algumas diferenças em relação às demais cidades, Aracaju (R$ 454,03), João Pessoa (R$ 476,63) e Salvador (R$ 478,86) registraram os menores custos.
Ao comparar setembro de 2020 e setembro de 2021, o preço do conjunto de alimentos básicos subiu em todas as capitais que fazem parte do levantamento. Os maiores percentuais foram observados em Brasília (38,56%), Campo Grande (28,01%), Porto Alegre (21,62%) e São Paulo (19,54%).
Nos primeiros nove meses de 2021, 16 capitais acumularam alta, com taxas entre 0,19%, em Aracaju, e 13,05%, em Curitiba. Somente Salvador apresentou ligeira queda de -0,05%.

Dieese
Com base na cesta mais cara que, em setembro, foi a de São Paulo, o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.657,66, o que corresponde a 5,14 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. Já em agosto, o valor do mínimo necessário deveria ter sido de R$ 5.583,90, ou 5,08 vezes o piso em vigor.
O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta, em setembro, ficou em 115 horas e 02 minutos (média entre as 17 capitais), maior do que em agosto, quando foi de 113 horas e 49 minutos.
Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em setembro, 56,53% (média entre as 17 capitais) do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em agosto, o percentual foi de 55,93%.