Cultura
Formação gratuita para educadores sobre música erudita de forma lúdica
Atividade conduzida pelo diretor artístico da Orquestra Sinfónica de Lisboa apresenta estratégias pedagógicas para aproximar…

Foto: Igor Sperotto
Helder Gordim da Silveira foi professor por 34 anos em Porto Alegre, atuou da alfabetização aos doutorados. Sempre teve o desejo de escrever e imaginava seguir por caminhos ligados à história, talvez pela não ficção. A poesia não estava nos planos. Com tempo livre após a aposentadoria, caminhava com frequência pelo Parque Farroupilha e quase sempre surgia algo para registrar: um bicho miúdo, falas dispersas, passos apressados.
O processo de escrita era simples: sentar em um banco, observar e anotar. No início, usava bloquinho de notas, depois, passou a registrar tudo no celular, algo que nem fazia parte dos seus hábitos. Muitas vezes, fatos banais do cotidiano, como a passagem de três guardas em uma motocicleta, ganhava um sentido novo na escrita.
Nesses devaneios, lembrou-se das leituras de juventude e da afinidade com a poesia japonesa haicai, forma poética composta por três versos que somam 17 sílabas e expressam uma percepção da natureza por meio do kigo, palavra ou expressão associada a uma estação do ano. Quando se deu conta, já havia escrito mais de cem poemas.
Foto: Ed. Alcance/DivulgaçãoRedondilhas da Redenção levou cerca de um ano para ser concluído. O autor não planejou escrever dentro de uma métrica específica, mas descobriu que grande parte dos poemas seguia o padrão de sete sílabas poéticas, característico da redondilha. Métrica antiga muito usada na trova medieval portuguesa, a redondilha chegou ao Brasil colonial e se manifestou no cordel nordestino e na trova popular do Rio Grande do Sul, tradições marcadas pela oralidade, improvisação e rima.
“Quem viveu a vida inteira pensando na História acaba sempre refletindo sobre o tempo.” A experiência da temporalidade, conceito tão trabalhado na história, aparece nos poemas sob outra perspectiva. Para o autor, entrar na Redenção é como romper com o ritmo acelerado do cotidiano e permitir um novo tipo de atenção ao mundo. Não por acaso, muitos poemas abordam justamente disso: parar, andar, seguir, viver em ritmos diferentes.
O livro físico está disponível no site da editora, nas principais lojas virtuais e no formato de e-book.
Helder Gordim da Silveira é licenciado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). é mestre e doutor em História Ibero-Americana pela PUCRS. Lecionou na rede pública de ensino, nos níveis fundamental e médio, no município de Porto Alegre. Por 34 anos, foi professor e pesquisador no Departamento de História e no Programa de Pós-Graduação em História da Escola de Humanidades da PUCRS. Estreante em poesia, publicou vários livros artigos na área de História Contemporânea do Brasil e da América Latina.
*Luigi Pinzetta é estagiário de jornalismo sob supervisão de César Fraga.