Fotógrafa gaúcha vence Prêmio Marc Ferrez e inaugura exposição em Belém(PA)

Artista gaúcha Ana Mendes (radicada, na Amazônia) retrata mulheres ameaçadas no Maranhão em exposição que estreia em 17 de janeiro

Fotógrafa Gaúcha vence Prêmio Marc Ferrez e inaugura exposição em Belém (PA)

Foto: Ana Mendes / Divulgação

A fotógrafa, jornalista e artista gaúcha Ana Mendes, nascida em Porto Alegre,  venceu o Prêmio Marc Ferrez — o mais importante da fotografia brasileira — na categoria Criação de Obras Fotográficas. Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a artista é radicada na Amazônia desde a infância, onde chegou a Porto Velho com a mãe aos 24 dias de vida.

Há mais de oito anos, Ana Mendes, 41 anos, atua na cobertura de comunidades tradicionais. O reconhecimento pelo Prêmio Marc Ferrez está diretamente ligado ao projeto que resultou na exposição “Quem é pra ser já nasce”, que será apresentada entre 17 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026, em Belém, e aborda a realidade de mulheres ameaçadas de morte no Maranhão — incluindo a própria artista, que integra o ensaio com um autorretrato.

A exposição, com curadoria de Nay Jinknss, será inaugurada no dia 17 de janeiro, na Associação Fotoativa, em Belém (PA), e terá entrada gratuita. O projeto reúne 24 fotografias e colagens em preto e branco, produzidas ao longo de quase um ano de trabalho com dez mulheres indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e assentadas do Maranhão. Todas são lideranças em seus territórios e enfrentam, ou já enfrentaram, ameaças de morte em razão de suas lutas coletivas pela terra, pela natureza e pela permanência de seus povos.

O ensaio nasce de uma experiência pessoal da própria artista, que passou a ser ameaçada após anos de atuação como fotojornalista, documentarista e cientista social no Maranhão. Diante do risco real, Ana Mendes decidiu deslocar o foco da violência para uma pergunta central: “O que vem depois do medo?”. As imagens apresentadas são respostas construídas a partir do encontro com essas mulheres. “Este é um trabalho sobre amor e esperança. Não é sobre violência e morte”, afirma.

Entre as obras, um autorretrato da artista estabelece um diálogo direto com as narrativas das mulheres retratadas, funcionando como espelho das lutas compartilhadas por defensoras ambientais, comunicadores e povos tradicionais — grupos que figuram entre os principais alvos de assassinatos no Brasil. Dados de organizações da sociedade civil apontam o país como um dos mais perigosos do mundo para defensores de direitos humanos, com Pará e Maranhão entre os estados que concentram esses crimes.

O título da exposição é inspirado em uma frase de Pjih-cre Akroá Gamella, liderança indígena fotografada no ensaio. Guardiã da casa-sede de uma fazenda retomada por seu povo na Baixada Maranhense, Pjih-cre viveu no local com três filhos pequenos sob constantes ameaças. Considerados extintos até 2014, os Akroá Gamella seguem em luta pela retomada de seu território ancestral. Para Ana Mendes, a frase sintetiza um traço comum às personagens retratadas: a continuidade dos saberes e das lutas transmitidas entre gerações, “aprendidas com mães, avós e ancestrais”.

A exposição integra uma pesquisa fomentada pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e também constitui um recorte da pesquisa de doutorado que a artista desenvolve no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Como parte da programação, a mostra integra a agenda do Café Fotográfico, promovido pela Associação Fotoativa. O encontro ocorre no dia 15 de janeiro, às 18h30, no Sesc Ver-o-Peso, com a presença de Ana Mendes e de Pjih-cre Akroá Gamella, que também integra a equipe do projeto.

Exposição fotográfica — “Quem é pra ser já nasce”
Abertura: 17 de janeiro, às 10h
Período: 17 de janeiro a 20 de fevereiro de 2026
Onde: Associação Fotoativa – Praça das Mercês, 19, Campina, Belém (PA)
Funcionamento: terça a sábado, no período da tarde
Entrada gratuita

Instagram: @anamendes_anamendes

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