Cultura
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Wagner Moura entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Em seu discurso, falou em português e exaltou a cultura do Brasil. “Viva a cultura brasileira”, afirmou
Foto: Reprodução de TV / HBO/TNT
O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste domingo no Globo de Ouro, realizado no hotel The Beverly Hilton, em Los Angeles, nos Estados Unidos. O filme O agente secreto (Vitrine Filmes), dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou duas das principais categorias da premiação: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura.
Apesar do desempenho expressivo, o longa não venceu a categoria principal da noite, Melhor Filme de Drama, que ficou com Hamnet. Ainda assim, a participação brasileira foi um dos destaques da cerimônia e consolidou o país entre os protagonistas da premiação.
Ao receber a estatueta, Kleber Mendonça Filho abriu o discurso com uma saudação ao país. “Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”, disse. O diretor agradeceu à distribuidora Vitrine Filmes, à produtora e companheira Emilie, à equipe e ao elenco. “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um grande momento”, afirmou.
A vitória coroa a trajetória internacional do longa, iniciada no Festival de Cannes, onde concorreu à Palma de Ouro. Na ocasião, uma apresentação de frevo ocupou a Avenida Croisette e se tornou um dos momentos mais comentados do festival.

Ao receber a estatueta, Kleber Mendonça Filho (microfone) abriu o discurso com uma saudação ao país. “Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”, disse. Ao lado do Diretor, Wagner Moura (esq.), Alice Carvalho (dir) e a produtora do filme Emilie Lesclaux (de vermelho)
Foto: Reprodução de TV / HBO/TNT
Wagner Moura entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Em seu discurso, falou em português e exaltou a cultura nacional. “Viva a cultura brasileira”, afirmou, ao destacar a parceria com Kleber Mendonça Filho, a quem definiu como “um gênio”, e a amizade construída ao longo do projeto.
Também concorriam à categoria Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido).
A conquista de O Agente Secreto retoma uma tradição brasileira no Globo de Ouro. Central do Brasil venceu a mesma categoria em 1999 e, no ano passado, Fernanda Torres foi premiada como Melhor Atriz em Filme de Drama.

O Agente Secreto é ambientado em Recife, em 1977, durante a Ditadura Militar no Brasil.
Foto: Vitor Jucá/Vitrine Filmes/Divulgação
Em O Agente Secreto, Marcelo, vivido por Wagner Moura é um professor universitário que, procurado pelo regime militar por atividades subversivas, foge para Recife. No entanto, ao chegar na cidade, onde acredita que está seguro até conseguir fugir do país com o filho pequeno, ele descobre que está jurado de morte por um antigo desafeto.
Ambientado em Recife no ano de 1977, durante a Ditadura Militar no Brasil, O Agente Secreto coloca seu protagonista diante de dilemas morais e riscos constantes ao tentar cumprir seu trabalho sem revelar sua verdadeira identidade, enquanto se vê cada vez mais envolvido nas disputas e violências do ambiente de vigilância, poder e opressão que o cercam.
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Entre os demais vencedores da noite, Paul Thomas Anderson levou o prêmio de Melhor Direção por Uma Batalha Após a Outra. Já o troféu de Melhor Ator em Filme de Musical ou Comédia ficou com Timothée Chalamet, por Marty Supreme.
Na televisão, a série Adolescência conquistou dois prêmios de atuação: Owen Cooper venceu como Melhor Ator Coadjuvante em Série, e Stephen Graham foi premiado como Melhor Ator em Série, além de também assinar a direção da produção.
Com duas estatuetas e ampla repercussão internacional, O Agente Secreto consolida o Brasil como um dos principais destaques da atual temporada de premiações do cinema mundial.
Além do reconhecimento no Globo de Ouro, O Agente Secreto já vinha acumulando prêmios e distinções relevantes no circuito internacional.
No Festival de Cannes, onde estreou concorrendo à Palma de Ouro, o longa foi premiado pela crítica internacional e pelos exibidores independentes, além de render a Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura os principais prêmios de direção e atuação da mostra.
O filme também venceu o Critics Choice Awards na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira e recebeu indicações em outras premiações da temporada, consolidando uma trajetória marcada pelo amplo reconhecimento da crítica e pelo prestígio em festivais e associações internacionais.
O longa já conquistou mais de 50 troféus em dezenas de premiações ao redor do mundo desde sua estreia, incluindo festivais menores e prêmios da crítica especializada.
O reconhecimento crítico veio acompanhado de bom desempenho comercial, intensificado com as premiações recentes. No Brasil, O Agente Secreto teve uma das maiores estreias do cinema nacional recente, liderando as bilheterias no fim de semana de lançamento e ultrapassando a marca de 1 milhão de espectadores ao longo de sua exibição, com arrecadação superior a R$ 25 milhões antes mesmo do Globo de Ouro.
No exterior, o filme também registrou resultados expressivos para uma produção brasileira, com lançamentos comerciais nos Estados Unidos e na Europa, especialmente na França, onde teve boa recepção de público, ampliando sua circulação internacional impulsionada pelo prestígio em festivais e premiações. Atualmente, o filme está em exibição nos cinemas brasileiros.
Diretor, roteirista e produtor, Kleber Mendonça Filho é um dos principais nomes do cinema brasileiro contemporâneo, reconhecido internacionalmente por um trabalho autoral que combina crítica social, rigor estético e diálogo com o cinema de gênero. Ganhou projeção com O Som ao Redor (2012) e consolidou sua trajetória com Aquarius (2016) e Bacurau (2019), vencedor do Prêmio do Júri em Cannes. Seus filmes circulam nos principais festivais do mundo e têm forte presença no debate político e cultural brasileiro.
Ator e diretor, Wagner Moura construiu carreira sólida no cinema, na televisão e no teatro, no Brasil e no exterior, destacando-se pela versatilidade e pela intensidade de suas interpretações. Tornou-se conhecido do grande público com Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010) e ampliou sua projeção internacional com a série Narcos. No cinema autoral, tem parceria recorrente com Kleber Mendonça Filho e é reconhecido por performances premiadas e por seu engajamento artístico e político.