Morre Silvio Tendler, o cineasta dos sonhos interrompidos que pautou a utopia nas telas

Documentarista premiado, com uma centena de títulos, Tendler se notabilizou por sua cinematografia de cunho político e histórico, como a trilogia presidencial sobre JK, Jango e Tancredo

Morre Silvio Tendler, o cineasta dos sonhos interrompidos que pautou a utopia

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O cineasta Silvio Tendler, 75 anos, morreu na manhã desta sexta-feira, 5, no Rio de Janeiro. Em nota, a produtora fundada pelo cineasta, a Caliban, comunicou o falecimento do cineasta. “Silvio deixa uma filha, um neto, mais de cem obras, incontáveis amigos, centenas de ex-alunos, uma legião de fãs e a semente da justiça social plantada em todos nós”. Tendler estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A causa da morte foi infecção generalizada. A filha do cineasta, Ana Rosa Tendler, informou que ele enfrentava há 10 anos uma neuropatia diabética, doença que compromete o sistema nervoso.

O “cineasta dos sonhos interrompidos” ou “cineasta dos vencidos”, como ficou conhecido ao longo de uma bem-sucedida e produtiva carreira cinematográfica, de cinco décadas.

Tendler retratou as histórias de três ex-presidentes da República em Os anos JK – Uma trajetória política (1980), Jango (1984) e Tancredo: A travessia (2011); do líder revolucionário Carlos Marighella; e do cineasta Glauber Rocha, entre outros. Foram 70 filmes e 12 séries televisivas.

Com o documentário O Mundo Mágico dos Trapalhões, de 1981, conquistou a maior bilheteria para filmes nacionais no segmento: 1,8 milhão de espectadores. Jango é uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro e o sexo documentário mais assistidos. O cineasta também produziu filmes sobre intelectuais, pesquisadores e artistas brasileiros como Josué de Castro – Cidadão do Mundo (1994), Milton Santos – Pensador do Brasil (2001).

Em 2011, Tendler denunciou o uso indiscriminado de agrotóxicos pelo agronegócio e a contaminação dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, ao produzir o documentário O veneno está na mesa. “Meu cinema é engajado, sempre bebeu na fonte dos movimentos sociais, mas esta é a primeira vez que eles são os protagonistas”, definiu o cineasta em entrevista ao Extra Classe durante as filmagens do primeiro documentário da Trilogia da Terra.

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