Cultura
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Dyonelio Machado (1895-1985): “viveu, circulou e atuou no núcleo das explosões políticas e culturais do século, como sujeito e objeto da história”
Foto: Reprodução
Para marcar os 130 anos do nascimento de Dyonelio Machado, os 40 anos de sua morte e os 90 anos do lançamento de Os ratos, a Libretos lança a segunda edição de Memórias de um pobre homem (160 p.). Nessa obra, Dyonelio rememora as lembranças mais caras de seus primeiros tempos de vida literária, com a descrição de momentos que vão desde a sua estreia na ficção, em 1927, até sua prisão e vida política, textos plenos de conceitos sobre a criação literária, sociedade, experiência parlamentar, política e filosofia.
Com edição de Rafael Guimaraens e coordenação e design de Clô Barcellos, a atual publicação preserva os originais manuscritos e datilografados deixados por Dyonelio, além da apresentação da professora Maria Zenilda Grawunder na primeira edição (IEL/RS, 1990), que agora consta como posfácio: “O estilo é inconfundível: a narrativa enxuta, substantiva, permeada de marcas irônicas, de afetividade ou contundência, conforme o desfilar dos fatos”.

Trecho do original manuscrito de “Memórias de um pobre homem”
Imagem: Reprodução
E traz uma novidade: a inclusão do conto “Noite no acampamento” (Um pobre homem, Dyonelio Machado, Globo de Porto Alegre, 1927), publicado na Revista do Globo, em 1942. A operação e resgate do texto exigiram atualização ortográfica, notas de rodapé, atualização de bibliografia do biografado. Foi mantida a forma de pontuação e de grifos, no estilo peculiar do escritor para acentuar nuances e conotações a frases ou palavras.
Nesta quinta-feira, 26, às 19h, acontece o primeiro evento de lançamento do livro no Instituto Estadual do Livro (IEL), rua André Puente, 318, em Porto Alegre, com a abertura de uma exposição contendo itens pessoais do escritor, manuscritos e edições raras, além de fotografias preservadas no Arquivo Literário Dyonelio Machado, além da palestra “As diferentes faces de Dyonelio Machado”, com o professor e pesquisador Jonas Dornelles.
Jonas apresentará um panorama bibliográfico de Dyonelio Machado (1895-1985), destacando os episódios mais significativos de sua juventude, sua trajetória como jornalista, médico psiquiatra e liderança política, além de discutir o legado e a atualidade de sua obra.
A reedição integra o projeto Horizontes Literários – Libretos e ações afirmativas para Livro, Leitura e Literatura (LLL) e Bibliotecas, financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), programa do Ministério da Cultura do Governo Federal.
Jonas Dornelles, doutor em Teoria da Literatura pela PUCRS, atua como professor e pesquisador. Dedica-se às áreas de Literatura Comparada e História e Memória Literária, com especial foco para a obra do escritor gaúcho Dyonelio Machado, sobre a qual publicou diversos artigos. É idealizador do projeto Caminhadas Literárias do Petrópolis, que contribuiu para tornar a casa em que viveu Dyonelio Machado um patrimônio inventariado.
Palestra As diferentes faces de Dyonelio Machado”, com Jonas Dornelles / Lançamento de “Memórias de um pobre homem” (Libretos Editora, 2ª edição) / Abertura de exposição com itens raros do acervo de Dyonelio, que ficará em exibição por um mês.
26 de junho (quinta-feira), às 19h, no Instituto Estadual do Livro (rua André Puente, 318, Porto Alegre). Entrada Franca
Capa: Libretos/ ReproduçãoDyonelio MachadoMédico, político e escritor foi uma figura exponencial na sociedade cultural sul-riograndense no século 20. Nasceu na cidade de Quaraí, na fronteira do Brasil com o Uruguai, em 1895. Faleceu a 19 de junho de 1985. Cinco dias após a sua morte, a família recebeu a notícia de uma condecoração, pelo governo francês: o escritor fora agraciado com a comenda da Ordre des Arts et des Lettres, entregue à viúva Adalgiza Machado.
Dyonelio marcou de muitos modos a vida gaúcha. Foi um profissional humanista e uma personalidade interessante, destacada e controvertida do meio literário e político. Viveu, circulou e atuou no núcleo das explosões políticas e culturais do século, como sujeito e objeto da história, privilégio só daqueles poucos seres humanos dotados da capacidade superior de assumir posições e de marcar, por suas palavras e por suas ações, algum momento histórico.
Uma vida longa e rica, em termos humanos, em participação política e literária. Dyonelio representou um corte no pensamento de sua geração.
A vida e a obra do escritor gaúcho também serão tema de reportagem do jornalista e escritor José Weis na edição de julho/agosto do jornal Extra Classe.