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Rafael Corrêa agora coleciona prêmios de cinema que se somam aos mais de 50 recebidos em concursos de cartum
Foto: Vulcana Cinema/Divulgação
Diagnosticado com esclerose múltipla em 2010, o cartunista Rafael Corrêa transformou sua busca por respostas — e por sentido — em um projeto cinematográfico. O resultado é o documentário Memórias de um Esclerosado, codirigido por Corrêa e pela cineasta Thais Fernandes, que estreia nos cinemas do Brasil a partir do dia 8 de maio de 2025.
A produção será exibida inicialmente em Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Niterói (RJ), Porto Alegre (RS), Ribeirão Preto (SP) e Rio de Janeiro (RJ), todas a partir da data de estreia. Em São Paulo (SP), o filme será exibido em sessão comentada no CineSesc, no dia 30 de abril. Sessões únicas também estão programadas para Santa Maria (RS), no Arcoplex, em 10 de maio; Maceió (AL), no Cine Arte Pajuçara, em 15 de maio; e Belo Horizonte (MG), no Cine Humberto Mauro, em 31 de maio. A programação completa e atualizada poderá ser acompanhada pelo Instagram @vulcanacinema.
Foto: Vulcana Cinema/DivulgaçãoA narrativa do documentário é guiada por memórias do próprio Corrêa, que, ao reconstruir sua trajetória, relembra um episódio marcante da infância: o assassinato cruel e aparentemente gratuito de um sapo, cujo lado esquerdo foi esmagado. Anos depois, a doença começa a afetar sua mão esquerda — justamente aquela com a qual desenha —, e o artista passa a enxergar uma espécie de karma nesse elo simbólico. “A doença avança rápido e Rafael tem pressa de contar sua história. Será que o sapo o deixará terminar?”, provoca a sinopse.
Conhecido pelo personagem Artur, o arteiro, protagonista de duas coletâneas de tirinhas, Corrêa teve tirinhas publicadas diariamente no jornal Zero Hora entre 2021 e 2024. Entre 2010 e 2020, colaborou com o caderno Ilustríssima, da Folha de S.Paulo. Desde 2013, é também cartunista do Jornal Extra Classe, onde publica a tirinha Rato Falho, espaço que passou a ocupar após a morte do quadrinista Renato Canini — criador dos personagens Tibica e Dr. Fraud.
Após o diagnóstico da esclerose múltipla — doença neurológica crônica e autoimune que atinge o sistema nervoso central — passou a relatar sua experiência em forma de quadrinhos autobiográficos.
O documentário reúne registros diversos: vídeos caseiros, fotografias, ilustrações, animações e cenas do cotidiano do artista. “Para mim, o maior desafio foi transportar a minha obra em quadrinhos para o cinema. Embora sejam artes irmãs, ambas têm suas peculiaridades na linguagem”, explica Corrêa, que estreia como cineasta. “Outra dificuldade foi me colocar como personagem de minha própria história e entender os limites entre criador e criatura”, acrescenta.
Ao lado de Corrêa, Thais Fernandes, que assina seu segundo longa-metragem, destaca o tempo de maturação do projeto. “Foram nove anos de realização, se a gente contar desde ter a ideia e conseguir o financiamento pra fazer. E fomos pegos no meio do caminho por uma pandemia, então muita coisa pensada no projeto original teve que ser adaptada”, lembra. Para ela, o filme transcende o gênero documental. “O documentário é hoje não só uma forma de retratar o real, mas também imaginar mundos possíveis. Memórias de um Esclerosado faz isso”, resume.

No 52º Festival de Cinema de Gramado, a produção também foi premiada nas categorias Roteiro, Montagem, Desenho de Som e Trilha Musical
Foto: Edson Vara/Festival de Gramado/Divulgação
Aclamado em festivais, o longa conquistou o prêmio de Melhor Longa-Metragem no 28º Cine PE, tanto na categoria principal quanto no júri popular. No mesmo evento, levou os troféus de Melhor Roteiro, Trilha Sonora e Ator Coadjuvante (Rafael Corrêa). No 52º Festival de Cinema de Gramado, a produção também foi premiada nas categorias Roteiro, Montagem, Desenho de Som e Trilha Musical.
Crítica do jornalista Luiz Zanin, publicada no Estadão, elogia o resultado: “Muito bem construído, alternando a presença do personagem com animações feitas a partir dos seus próprios desenhos, é um longa dinâmico, que, sem esconder as dificuldades de Rafa Corrêa, tempera problemas com imbatível senso de humor, ironia e nenhuma autopiedade”.
Memórias de um Esclerosado é uma produção da Vulcana Cinema e Cena Expandida, com distribuição da Atelier W Produções Cinematográficas. O filme conta com financiamento do programa Itaú Rumos 2019-2020 e do FAC Filma RS.
“Memórias de um Esclerosado” conta a história de Rafael Corrêa, cartunista diagnosticado com esclerose múltipla em 2010. Em busca de respostas, o artista decide fazer um filme para organizar suas memórias. No processo Rafael lembra que quando criança matou de forma cruel e sem motivos um sapo, esmagando seu lado esquerdo. Os primeiros sintomas da doença paralisam sua mão esquerda, a mão com a qual desenha, e ele passa a acreditar em uma espécie de karma. A doença avança rápido e Rafael tem pressa de contar sua história. Será que o sapo o deixará terminar?

Memórias de um Esclerosado foi codirigido por Rafael Corrêa e pela cineasta Thais Fernandes
Foto: Isidoro B. Guggiana/Divulgação
“É divertido, inteligente e criativo. A linguagem utilizada traz um caráter interessante e torna a narrativa dinâmica e curiosa. É um retrato íntimo e pessoal. No entanto, sabe bem como chegar próximo ao espectador e convidá-lo para refletir o caminho percorrido” | Isabela Ferro (O Grito!)
“Muito bem construído, alternando a presença do personagem com animações feitas a partir dos seus próprios desenhos, é um longa dinâmico, que, sem esconder as dificuldades de Rafa Corrêa, tempera problemas com imbatível senso humor, ironia e nenhuma autopiedade.” | Luiz Zanin (Estadão)
“Um retrato honesto, corajoso e emocionante.” | Raphael Camacho (Cinepop)
Thais Fernandes (1984) é documentarista. Dirigiu os curtas “Contrato de Amor” (Festival de Gramado 2013), “Navegantes” (Curta Cinema 2015) e “Um Corpo Feminino” (BFI 2018). Assina a produção executiva, pesquisa e edição de vídeo do webdocumentário “A Cidade Inventada” (Dokleipzig 2017). Em 2020 lançou “Afinal, Quem é Deus?” (Prix Jeunesse International), sua primeira série de TV, e seu primeiro longa-metragem – “Portuñol” – vencedor do prêmio de melhor longa-metragem gaúcho no 48º Festival de Cinema de Gramado. Desde 2024, é egressa da 11ª turma do DocNomads, programa de mestrado Erasmus Mundus focado em direção de documentários. Em 2025, prepara o lançamento nos cinemas de seu segundo longa documentário, “Memórias de um Esclerosado”, grande vencedor 26º Cine-PE.
Filmografia
Rafael Corrêa é cartunista autor do personagem de tirinhas Artur, o Arteiro com o qual têm dois livros publicados: Direto pro SOE! (2006) e Piolhos Invaders (2007) ambos pela Razão Bureau Editorial. De 2021 a 2024, publicou tirinhas diárias no jornal Zero Hora. Entre 2010 e 2020 produziu cartuns para o caderno Ilustríssima, do jornal Folha de S. Paulo. Em 2014 escreveu, desenhou e editou Criatura, em 2015 o livro Sapatiras e em 2018 publicou uma coletânea de cartuns e quadrinhos com material dos últimos dez anos de sua carreira, o livro Até Aqui Tudo Bem. Em 2010 foi diagnosticado com esclerose múltipla e desde julho de 2015 começou a contar, em forma de quadrinhos autobiográficos, sua experiência com a doença (Memórias de um Esclerosado). Rafael também participa de diversos concursos de cartuns pelo mundo, tendo sido premiado em mais de 50 deles.