Cultura
Formação gratuita para educadores sobre música erudita de forma lúdica
Atividade conduzida pelo diretor artístico da Orquestra Sinfónica de Lisboa apresenta estratégias pedagógicas para aproximar…

Ciclos de vida, representações da infância e ressurreição são temas recorrentes nas obras de Carla Barth, como em ”Fábula”, de 2022
Foto: Reprodução
As pinturas em acrílico sobre tela, aquarelas e desenhos de nanquim, entre outras técnicas e materiais, compõem o que a autora destaca como uma celebração à vida. A mostra reúne 25 obras e um mural pintado pela autora no interior da Fundação Ecarta.
Formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos/PUCRS), Carla estudou desenho e escultura no Atelier Livre de Porto Alegre e fez cursos livres de arte contemporânea com Guilherme Dable, Maria Helena Bernardes, Ana Flávia Baldisserotto, Charles Watson e Jaílton Moreira. Também realizou exposições no Brasil e no exterior.
Suas obras foram divulgadas em revistas de diversos países. Ela se inspira na natureza e nas diversas influências do folclore, da mitologia, arte naïf, clássica e oriental. “Me inspira o universo folclórico e popular, arte naïf, mas curto minhas referências eruditas também e gosto de misturar tudo”, esclarece.

O painel “Oferenda”, de 2019, aquarela sobre papel, tem 1,12 metro por 77cm
Foto: Reprodução
O título da exposição, Bloco do Afeto, foi escolhido a partir de uma pintura de 2022, que estará na mostra e que remete aos murais que a artista pintou na Cidade Baixa, bairro de Porto Alegre. Entre as referências, ela cita a participação no coletivo Upgrade do macaco, que, no início dos anos 2000, agitou a cena artística na capital gaúcha com murais, revista, exposições, ações de arte urbana e manifestos.
Em 2019, com a exposição De onde vim, na Casa Musgo, Carla se inspirou em cosmovisões pagãs, tradições ligadas à terra, cultos à fertilidade, festas e rituais pré-cristãos. “Porém, os trabalhos são compostos muito mais pelo meu imaginário acerca dessas referências”, situa.
O ponto forte eram as celebrações que estão presentes em todas as culturas. “Percebi que no mundo inteiro a maior parte dessas festas e rituais foram cristianizadas, mas seguem vivas até hoje numa espécie de sincretismo.”
Ela explica que a exposição da Ecarta dá sequência a essa temática, com trabalhos que celebram a vida e apresentam simbologias ligadas à ressurreição, infância e ciclos.

Carla Barth: exposição e mural na Ecarta
Foto: Igor Sperotto
Para André Venzon, coordenador da Galeria Ecarta e curador da exposição, trata-se de uma visão de mundo muito particular, que apresenta uma mitologia própria da autora. “São figuras antropomórficas que se relacionam em um jogo lúdico, misturando-se com as múltiplas cores e grafismos por todos os espaços de paisagens fantásticas”, define.
Influenciada pela arte naïf ou primitiva, tendência artística que se caracteriza pelo rompimento com os cânones acadêmicos, “Carla é consciente da singeleza e ingenuidade dos seus trabalhos”, analisa Venzon.
Essa potência criativa poderia ser justificada pelo ambiente em que ela cresceu, provoca o curador, lembrando que Carla viveu dos 5 aos 14 anos no ateliê de arte do pai, o gravador, desenhista e professor de Arte da Ufrgs, Luiz Barth, que foi aluno de Iberê Camargo.
“Porém, os códigos visuais da artista, bem como suas ações no campo da arte contemporânea a situam no lugar daqueles que não abdicam do sonho, da ilusão, da diversão e do imaginário e, portanto, sua estética encontra tantos apreciadores. Ela nos devolve, com seu universo onírico e multicolorido, um prazer tão raro quanto distante, talvez aquele só experimentado nos sonhos da infância”, ressalva.
Para o jornalista Oscar D’Ambrosio, da Associação Internacional de Críticos de Arte (Aica-Seção Brasil), a criação visual de Carla Barth é regida pela fantasia. “Sua poesia provém de um entendimento do mundo marcado pela predominância do fantástico. É instaurado assim um universo todo peculiar, regido pela capacidade de imaginar personagens e situações. Trata-se de um amplo visualizar de cores e circunstâncias em que os sonhos e os contos de fada se cristalizam”, conceitua D’Ambrosio.
Pós-doutor em Educação, Arte e História da Cultura na Universidade Mackenzie e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, o crítico explica que catalogar as imagens produzidas por ela como surrealismo ou arte naïf é bastante limitador.
“Muito mais que um conjunto onírico ou ingênuo, o que a artista oferece ao observador é uma vereda repleta de pinturas, desenhos e esculturas unificadas talvez por um elemento primordial: a natureza. Ela surge de maneira muito expressiva, frondosa, com uma força visceral amazônica, embora não se proponha a se sobrepor aos personagens.” ressurreição, ressurreição, ressurreição, ressurreição, ressurreição, ressurreição,