Cultura
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Em reunião com cartunistas, presidente do Legislativo recebeu decisão da Justiça determinando a reabertura da exposição de charges que a parlamentar havia censurado
Foto: Ederson Nunes/CMPA
A exposição Rir é Risco – Independência em Risco, organizada pela Grafistas Associados do Rio Grande do Sul (Grafar), voltará a ser exposta na Câmara Municipal de Porto Alegre a partir da próxima segunda-feira,16. A decisão de não recorrer da liminar que determina a retomada da exposição foi comunicada nesta quinta-feira, 12, pela presidente do Legislativo, vereadora Monica Leal (PP), em reunião com os vereadores Marcelo Sgarbossa (PT) e Roberto Robaina (PSOL), cartunistas e representantes das entidades Associação Mães e Pais pela Democracia e Juristas pela Democracia.
“Fiz questão de recebê-los pessoalmente para informar a decisão de não recorrer”, destacou a vereadora. Monica afirmou que sua opinião sobre a mostra não mudou, que a crítica é saudável e deve ser feita de forma respeitosa, mas que “decisão da Justiça não se discute, se obedece”. Na terça-feira, 3, a presidente do Legislativo se dizia escandalizada com as charges ao censurar a mostra, que qualificou com ofensiva. Ela alegou que as informações que a diretoria-geral da Câmara de Porto Alegre recebera não condiziam com a realidade da exposição. “Eu tenho toda a documentação na minha mão. Tanto que eu fiquei surpresa. Eu comecei a receber ligações de pessoas de fora, me levantei para conferir, e realmente a exposição é ofensiva”.
A censura provocou protestos e uma ação judicial. O juiz Cristiano Vilhalba Flores, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, concedeu na manhã desta quinta-feira, 12, liminar entendendo ser cabível o mandado de segurança patrocinado pela Associação de Mães e Pais pela Democracia e Juristas pela Democracia. “A charge é a objetividade da subjetividade. Nós, chargistas, usamos a imagem com suas figuras de linguagem, tentando ser objetivos sem sermos primários, sem usar clichês ou fórmulas prontas, aquelas bem ao gosto popular. É inevitável interpretações errôneas, mal entendidos ou simples falta de capacidade cognitiva”, disse Leandro Bierhals Bezerra, o Hals, presidente da Grafar, quando a exposição foi censurada: “uma coisa é não entender ou não concordar mas censura, isso é inadmissível”.