Cultura
Formação gratuita para educadores sobre música erudita de forma lúdica
Atividade conduzida pelo diretor artístico da Orquestra Sinfónica de Lisboa apresenta estratégias pedagógicas para aproximar…

No elenco, Antônio Carlos Falcão, Eduardo Cardoso e Thiago Prade
Foto: Fábio Rebelo/Divulgação
“Um mercado onde cada época pode ver sua própria insensatez”. Esta afirmação está na peça de teatro O mercado de notícias (The Staple of news), escrita em 1625, pelo dramaturgo inglês Ben Jonson. A peça foi traduzida e montada pelo cineasta Jorge Furtado e utilizada como pauta para seu novo documentário, de mesmo título, que estreou nos cinemas em todo Brasil neste mês de agosto. O filme, premiado como melhor documentário pelo júri oficial e popular do 18º Cine PE, de Pernambuco, traz entrevistas com 13 jornalistas de política nacionalmente reconhecidos, que refletem sobre critérios jornalísticos, coberturas de grandes temas, revolução digital, a importância e o futuro da profissão.
A ideia do filme surgiu há sete anos quando Furtado percebeu que a profissão estava passando por uma transformação e questionamentos. “Se agora todo mundo tem seu Face, blog, Twitter… pra quê jornalista? Mas minha percepção foi oposta, foi de que mais do que nunca precisamos de profissionais do jornalismo e não de amadores”, afirma. Outra motivação para o filme neste momento é a revolução digital nas comunicações. O filme compara o que está acontecendo agora ao que ocorreu na época do surgimento da imprensa de Gutenberg: a informação explodiu geometricamente, mas o que é verdade e o que é ficção? “Mesmo que você poste no seu Twitter que está ocorrendo um incêndio no prédio ao lado, é o jornalista que vai ao local descobrir e divulgar as informações corretas sobre o fato”, exemplifica um dos entrevistados.
A peça de Ben Jonson, que permeia as entrevistas, é cheia de humor e tiradas inteligentes sobre a sociedade da época. A estória se passa em um dia, na Londres do século 17, quando o personagem Pila Júnior é informado da morte de seu pai. Imediatamente ele começa a gastar a fortuna que recebeu e um de seus investimentos é o novíssimo mercado de notícias, escritório de organização e catalogação de notícias no qual emprega seu amigo barbeiro.
ESTREIA – O Mercado de Notícias terá sessões em Porto Alegre a partir de 7 de agosto, no Espaço Itaú (Bourbon Shopping Country – 2º piso – Av. Túlio de Rose, 80 – Passo da Areia) e no Cine Bancários (Rua General Câmara, 424 – Centro).
ENTREVISTA | Em defesa do bom jornalismo

Jorge Furtado: teatro em documentário
Foto: Fábio Rebelo
Extra Classe − Por que escolher uma peça de 1625 como pauta para o filme?Jorge Furtado − Achei muito impressionante a percepção que o Ben Jonson teve na época, pois o jornalismo tinha começado três anos antes em Londres. Ele percebeu muito rapidamente quais eram as mazelas do jornalismo e as grandes questões como a relação com a fonte, o financiamento, gente que quer aparecer na imprensa e o poder da imprensa.
EC − Como acredita que o tema do filme será recebido pela imprensa?Furtado − Descobri que existe a categoria dos sem mídia (assim como existem os sem teto, sem terra) e os jornalistas também são sem mídia. Eles não têm onde refletir sobre a profissão, o mercado. É um assunto bastante tabu. A imprensa não fala na imprensa. Nesse sentido, o filme é útil, pois a gente precisa do jornalismo para tomar decisões, desde coisas práticas, como o clima, até o que está acontecendo no mundo. Mais do que nunca, nessa tempestade de informações que o mundo virou, precisamos de profissionais treinados, capacitados e pagos para isso.
EC – Qual o papel político do filme neste ano de eleições?
Furtado – O filme tem a ver com política, com a cobertura da política e uma certa ideologização extremada da imprensa atualmente. Como, por exemplo, o caso da Copa do Mundo, que nem está no filme, pois aconteceu agora. Mas durante meses a imprensa, majoritariamente, vendeu a ideia de que a Copa seria um vexame, os aeroportos, o trânsito, a violência etc… Mas aconteceu o oposto. Por quê? Como a imprensa se enganou tão fortemente? Por preconceito. Ou seja, tinha uma ideia pré-concebida e procurava coisas que confirmassem a ideia. E se formos pensar o quanto o Brasil perdeu com tudo isso? Quantas pessoas deixaram de vir para o país, quantos investidores deixaram de patrocinar? O jornalismo tem consequências reais.