Cultura
Formação gratuita para educadores sobre música erudita de forma lúdica
Atividade conduzida pelo diretor artístico da Orquestra Sinfónica de Lisboa apresenta estratégias pedagógicas para aproximar…
Depois do show de lançamento do CD duplo, Mundo Perfeito, no Theatro São Pedro, no final de 2007, o guitarrista e compositor Nei Van Soria (ex-TNT e Os Cascavelettes) segue percorrendo os teatros das principais cidades do estado, apresentando suas novas e clássicas composições. No dia 12 de abril ele se apresenta em Caxias do Sul, no Teatro São Carlos e, no dia 10 de maio, em Pelotas, no Teatro 7 de Abril. Novidades como Tardes de Verão, Começar de Novo e Sobre o Amor, do novo álbum, dividem espaço com melodias que já ficaram marcadas nos tímpanos de diferentes gerações, como a balada Sob um Céu de Blues (um dos maiores clássicos do rock gaúcho, gravada originalmente por Os Cascavelettes), e também Jardim Inglês, Susie e Isso Inclui Você (de seus trabalhos anteriores). Mundo Perfeito é o sexto álbum da carreira de Nei Van Soria em mais de 20 anos de estrada. Destes, 16 são trabalhos solo. Vale lembrar que TNT e Cascavelettes integram uma espécie de cânone do rock gaúcho e figuram entre as principais influências, reconhecidas ou não, de grupos como Cachorro Grande e assemelhados.
Tanto o disco como o show mostram a versão mais madura do artista em toda a sua trajetória. Nei é exímio guitarrista – mas que sabe tocar sem firulas desnecessárias – e um cantor de registro vocal bastante peculiar. Suas canções são simples e diretas, com belos arranjos instrumentais calcados no rock dos anos 60 e 70. Ao vivo e no disco, o músico alterna momentos ao piano e acústicos para dar seu recado. Destaque também para a excelente banda que o acompanha. Trata-se, sem dúvida, de um raro show de rock especialmente preparado para teatro, com uma produção que respeita a audiência por prezar detalhes como sonorização, iluminação e cenografia acima da média. Tudo muito simples e sofisticado ao mesmo tempo. O cuidado visual, inclusive, já está presente no trabalho gráfico do CD, a capa com acabamento em papel e discos com aparência de vinil.
Lançar um álbum duplo com show para teatro em plena era do efêmero – quando se assiste a clipes no You Tube e se ouve música de graça em MP3 – é um ato de coragem e de resistência, na contramão da tendência do mercado. Porém, o músico está consciente disso e mira justamente nessa percepção, mais como forma de comunicação com o público do que de estratégia comercial. É um trabalho voltado para quem gosta de colocar os olhos e os ouvidos em um conjunto de canções feitas com prazer e por prazer, principalmente em uma época em que a rebeldia pré-fabricada dá o tom. Talvez Van Soria tenha percebido que a rebeldia possível nos dias de hoje deva ser menos estereotipada do que a das gerações anteriores. E passa mais pelo resgate de valores mínimos e observação da vida como ela é, muito além do mundinho do rock, do que pelos figurinos datados e atitudes decoradas em um manual de “escola de rock”.
Van Soria utiliza suas canções para lançar um olhar musical sobre a trajetória dos indivíduos de sua geração, a dos que foram adolescentes nos anos 80, e podem ser vistos hoje como jovens de 40. As letras falam desde os verões no litoral até a chegada da maturidade, passando pelas dores de amor, paixão, amizade e perda das ilusões. Tudo muito trivial, como é a vida real que o rock tantas vezes negou.