Cultura
Formação gratuita para educadores sobre música erudita de forma lúdica
Atividade conduzida pelo diretor artístico da Orquestra Sinfónica de Lisboa apresenta estratégias pedagógicas para aproximar…
Tratar das diferenças filosóficas entre americanos do norte e europeus é certamente uma tarefa árdua. Coube à filósofa italiana Giovanna Borradori, professora do Departamento de Filosofia do Vassar College, em Poughkeespie, Nova Iorque, a missão de sintetizar a ponte entre ambas em livro. Ao invés de organizar uma coleção de ensaios e artigos sobre o assunto, a autora de A Filosofia Americana – Conversações (Editora Unesp, 234 págs., R$ 25,00 em média) optou por um caminho especialmente interessante nesses tempos de políticas bicudas entre os continentes, o diálogo. A autora realizou entrevistas com nove pensadores americanos contemporâneos que representam diferentes correntes de pensamento. Borradori, busca ao longo do livro estabelecer uma ponte sobre o Atlântico. Enquanto os franceses, por exemplo, seguem a linha da reflexão estruturalista e os italianos representam um setor inteiro do pensamento centro-europeu, a filosofia americana coloca-se em oposição, seguindo a corrente analítica. Isso representa o reflexo da metamorfose ocorrida no pensamento ianque entre os anos 30 e 60, quando a filosofia nos EUA deixou de ser um empreendimento multidisciplinar e socialmente engajado para tornar-se uma ocupação altamente especializada. No centro disso, o pensamento analítico tornou-se hegemônico.
A filósofa utilizou-se de colocações, perguntas e provocações intelectuais para penetrar no pensamento e nas diferentes concepções filosóficas dos entrevistados. Os interlocutores são nada mais, nada menos do que Willard van Norman Quine (precursor de toda uma geração de filósofos), Donald Davidson e Hilary Putnam (ambos diretamente ligados à tradição lógica), Robert Nozik (filósofo político), Arthur Danto (ligado à estética e à filosofia da história), Richard Rorty (fundador do neopragmatismo), Sanley Cavell (apologista do neoceticismo), Thomas Khun (ligado à filosofia da ciência), Alasdair MacIntyre (ligado à ética das virtudes).
Para a autora, o objetivo do livro “é procurar ultrapassar um muro, que, diferentemente de muitos outros da Europa passada e presente, é feito de água. Superar o muro do Atlântico não é abatê-lo a golpes de picaretas, mas reconstituir suas rotas, navegá-lo, habitá-lo”.