Cultura
Formação gratuita para educadores sobre música erudita de forma lúdica
Atividade conduzida pelo diretor artístico da Orquestra Sinfónica de Lisboa apresenta estratégias pedagógicas para aproximar…

Uma fábula infantil de aproximadamente 12 minutos propõe o debate para uma das questões ambientais mais polêmicas nas últimas décadas: a preservação e o tratamento da água no planeta. Não esqueçamos que o dia 22 deste mês é o Dia Mundial da Água.
Foto:Claudius Ribeiro Ramos
O fio condutor do enredo é simples e conta a experiência de um menino que vive em um lixão perto de um arroio. O garoto descobre no rio uma passagem para um lugar onde a natureza está intocada e as águas são cristalinas. É ali que ele vê, pela primeira vez, um peixe vivo. Começa, então, a história O Príncipe das Águas, curta-metragem em 35mm, com roteiro de Werner Schünemann em parceria com David Simões Pires. O filme chega às telas de cinema até o final do mês de maio e a previsão é que participe do próximo Festival de Gramado.
O Príncipe das Águas faz parte de um projeto educativo da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), idealizadora e patrocinadora do projeto, resultado de um investimento de R$ 100.000,00. Além do patrocínio da Corsan, o filme recebeu ainda o apoio da Prefeitura de Novo Hamburgo e de dois hotéis (Vivendas e Cabanas do Sul), de São Lourenço do Sul.
“Eu já tinha um rascunho da história e, em uma conversa com o Dieter Wartchow (diretor-presidente da Corsan), durante as filmagens de Mar Doce, (a Companhia foi quem pagou o cachê do ator Carlos Alberto Riccelli), descobrimos que havia um interesse mútuo em levantarmos a discussão da água e a preservação ambiental. Aí, como eu já tinha a história…”, relata Werner.
Com uma mistura de didática e lirismo resultou um filme que pretende proporcionar ao espectador não só a denúncia e revelação da depredação, mas também mostrar a existência de um ambiente livre da poluição. “A água é um bem da vida e precisa ser preservado para garantir o futuro da humanidade e se constitui num direito de cada ser humano. O acesso para todos somente será garantido a partir de uma compreensão educacional e cultural que hoje inexiste na sociedade brasileira e mundial. Educação e cultura serão instrumentos chave para compreender a água como elemento vital à vida”, explica o diretor-presidente da Corsan, Dieter Wartchow.
Segundo ele, a Corsan pretende veicular o filme em escolas, cinemas e TVs. O diretor Werner Schünemann, por sua vez, está otimista com a receptividade que O Príncipe das Águas terá entre os espectadores. Ele acredita que o curta-metragem tem chances de percorrer o mundo, pois a temática é atual e universal. “A história é sobre a criação de uma consciência ambiental em um menino. É um rito de passagem. É quase surrealista”, entusiasma-se.
O fabulista da trama é o ator Carlos Alberto Riccelli (ele também participa de Mar Doce) e a narração foi realizada em um estúdio de Los Angeles. No elenco, a participação especial do ator Zé Victor Castiel que, segundo Werner, interpreta “o ogro mais feio da história do cinema brasileiro”, do garoto Rodrigo Bianchi, morador da Ilha da Pintada, e do pescador de Tramandaí, há 32 anos, José Joelson Góes. O diretor explica que os atores foram escolhidos entre gente comum, a partir de um trabalho de pesquisa da produção que percorreu o Estado em busca de pessoas que pudessem incorporar os personagens. Segundo ele, Rodrigo é um ator intuitivo e foi selecionado não só por ser nativo da ilha, como também por sua rara sensibilidade.
O Príncipe das Águas, que teve locações nos arroios Grande e Caraha, em São Lourenço do Sul e no Aterro Sanitário de Novo Hamburgo. recebeu apoio da Prefeitura de Novo Hamburgo e de dois hotéis (Vivendas e Cabanas do Sul), de São Lourenço do Sul.
Embora ainda não exista uma previsão de data para o lançamento do filme em formato de vídeo, a Corsan deverá iniciar a distribuição até no primeiro semestre. As escolas interessadas devem fazer contato com a Corsan pelos telefones (51) 3215 5690 / 3215 5691.
Bate-papo com o diretor
Foto: Claudius Ribeiro Ramos
Extra Classe – Você foi premiado com o Candango, em Brasília, um dos principais prêmios do cinema brasileiro, concorrendo com um jovem-ator-promissor-global, que é o Selton Mello, que atuou no aclamado Lavoura Arcaica, de Luis Fernando Carvalho. Qual foi a sua sensação ao receber o prêmio?
Werner – Ganhei vários prêmios como diretor e roteirista, mas essa foi a primeira vez como ator. Achei muito mais emocionante porque o ator está muito exposto. A gente se sente um pouco despido. O diretor é um personagem um pouco mais oculto. Realmente fiquei muito emocionado, foi um momento de felicidade eufórica, porque apostei todas as fichas o que não significa que eu não tenha críticas enquanto um processo de aperfeiçoamento de um trabalho.
EC – Qual a importância do prêmio para a sua carreira de 21 anos dedicados ao cinema?
Werner – O prêmio é importante para a carreira enquanto confirmação formal de um trabalho já reconhecido pelo público. Percebo na rua, nos autógrafos a admiração do expectador que foi assistir ao Netto.
EC – De 1980 a 1983 você foi professor de História. Como foi essa experiência?
Werner – Era um garoto quando lecionei História na Fundação Evangélica da Igreja Luterana de Novo Hamburgo. Foi uma experiência um pouco pesada. A escola, por ser um agrupamento de um grande número de pessoas, quando não tem noção de diciplina vira uma balburdia. Entretanto, as questões diciplinares se sobrepõem a outras questões e a escola tem no professor mais um reformador do que um professor. Eu era muito cobrado pelos colegas por um certo liberalismo excessivo.
A gente associa educação à escola e a escola à educação. Mas não é bem assim. Nem a educação aponta para a necessidade de uma escola e nem a escola aponta necessariamente para a educação. Gosto muito de ensinar, mas concordo com Piaget e Foucault que diziam que as grandes prisões humanas são a fábrica, a cadeia, o hospital, o hospício e a escola. Dos 21 aos 24 lecionei e percebi que estava contribuindo mais para criar seres obedientes do que seres pensantes. A diciplina escolar é tão cruel que acaba se sobrepondo às virtudes do aprender. A minha decepção não foi com o ato de ensinar, não foi com o aluno, mas com o sistema, o conceito de escola que está errado.
EC – Você é reconhecido também por seu trabalho político no meio cinematográfico. Foi um dos fundadores e comandou a APTC (Associação de Produtores e Técnicos Cinematográficos do RS). Foi também um dos criadores e o primeiro diretor Fundacine (Fundação de Cinema do Rio Grande do Sul) e é o representante da classe no Conselho Municipal de Cultura de Porto Alegre. De que forma você analisa o problema da captação de recursos para o cinema?
Werner – O processo de captação de recursos é lento porque o interesse da empresa é muito esporádico. A solução para o cinema não são os miseráveis prêmios do Ministério da Cultura, mas as várias formas de financiamento que devem ser melhor aproveitadas como linhas de crédito, investimento a fundo perdido, por exemplo. Nos EUA a captação de recursos data de 1932, estamos muito distantes dessa realidade e temos muito caminho ainda a percorrer.
EC – Qual o seu próximo trabalho como ator?
Werner – Provavelmente em março comece a atuar, ao lado de Betty Faria, em Beijos Confiscados, do diretor Carlos Reichenbach. As filmagens serão no Rio de Janeiro e em Cidreira. Serei o antagonista da Betty. Interpretarei um vilão abjeto, um homem sem caráter. Um papel que qualquer ator gostaria de interpretar. O roteiro é ótimo.