Política
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Foto: Ederson Nunes/CMPA
Na manhã desta terça-feira, 5, foram votados os relatórios finais das duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que investigaram durante quatro meses denúncias de irregularidades em aquisições e contratos de compras da Secretaria Municipal de Educação (Smed) do governo Sebastião Melo, em Porto Alegre.
O caso ficou conhecido como um escândalo que envolveu mais de R$100 milhões em compras, R$73 milhões dos quais sem licitação a partir de 2021.
Na segunda-feira, 4, o relator Mauro Pinheiro (PL) apresentou seu parecer final para ambas as comissões. O texto foi lido na íntegra para o plenário. documento se limita a apontar falhas mas não confirma fraudes.
O texto de Pinheiro, que é aliado de Sebastião Melo, vai na contramão do relatório paralelo produzido por Mari Pimentel (Novo) que preside uma das comissões.
Pimentel votou contra o relatório de Pinheiro e entregou um dossiê sobre o caso na semana passada ao Ministério Público de Contas do TCE. O documento aponta fraudes e diz que a prefeitura tentou atrapalhar a apuração do caso.
Já o documento aprovado na Câmara chove no molhado ao sugerir investigações que já foram feitas por órgãos de controle e adequações internas já encaminhadas pela Prefeitura, em outubro, quando prefeito Sebastião Melo determinou a abertura de uma sindicância para apurar o caso.
Na CPI presidida por Mari Pimentel (Novo), o relatório foi aprovado com sete votos favoráveis e quatro votos contrários. Na comissão conduzida pelo vereador Idenir Cecchim (MDB), o texto foi aprovado com oito votos favoráveis e quatro contrários.
Na comissão presidida por Mari, votaram a favor Cláudia Araújo (PSD), Comandante Nádia (PP), Idenir Cecchim, Mauro Pinheiro, Moisés Barboza (PSDB), Psicóloga Tanise Sabino (PTB). Foram contrários Biga Pereira (PCdoB), Jonas Reis (PT), Mari Pimentel e Roberto Robaina (PSOL).
Na CPI presidida por Cecchim, foram favoráveis Airto Ferronato (PSB), Comandante Nádia, Fernanda Barth (PL), Idenir Cecchim, Márcio Bins Ely (PDT), Mauro Pinheiro, Moisés Barboza e Psicóloga Tanise Sabino. Manifestaram-se contrariamente Aldacir Oliboni (PT), Fran Rodrigues (PSOL), Giovani Culau (PCdoB) e Tiago Albrecht (Novo).
O texto havia sido apresentado na manhã desta segunda-feira, 4, pelo relator Mauro Pinheiro, que leu o documento na íntegra no Plenário. A conclusão do relatório aponta seis recomendações:
O texto também traz a especificação dos fatos que geraram as CPIs, os documentos apresentados às comissões e um resumo das oitivas realizadas. O relatório ainda elenca pontos que podem ser alvo de investigações futuras.
Em relação à oitiva de Verônica Almuas, proprietária da empresa Conceito, o relatório afirma que “ao longo de todo o seu depoimento, foi possível perceber que a depoente não tem conhecimento do funcionamento da sua empresa, dos produtos ofertados e da sua administração”. Mauro Pinheiro destaca que “a depoente reside em Santa Catarina e a sua empresa tem sede em Gravataí, o que causa estranheza a este relator”. Assim, “diante de várias contradições, do depoimento confuso e suspeito”, o vereador recomenda uma melhor averiguação dos fatos.
O relatório também chama atenção para o caso do empresário Jaílson Ferreira da Silva, envolvido em seis das 11 aquisições investigadas pelas CPIs. Ele é dono das empresas JBG3 e World Soluções Educacionais e representante comercial da Inca Tecnologia e da Astral Científica. Conforme o texto, o depoimento do empresário foi confuso em relação a quais empresas são de propriedade de Jaílson, a quais ele representa, e àquelas pelas quais ele foi responsável pela logística de entregas. “Todas apresentam o mesmo portfólio de vendas”, destaca Mauro Pinheiro. O relatório recomenda “uma investigação sobre essas empresas, pois poderia haver indícios de direcionamento e fraude na coleta de orçamentos”.
O texto menciona ainda a participação da ex-servidora da Smed Michele Schröder nas compras investigadas. Mauro Pinheiro ressalta que duas servidoras da Smed informaram que vinha dela a orientação da empresa a ser contratada, e que isso contraria o depoimento de Michele. “É importante aprofundar as investigações no que tange à participação da servidora Michele nas indicações das empresas contratadas”, afirma o relator. O vereador aponta que “as CPIs não conseguiram apurar quem indicava as empresas para iniciar o processo de aquisição dos materiais” – se seria a coordenadora pedagógica, a equipe técnica ou a secretária de Educação.
O relatório aponta que foram verificadas “falhas administrativas de logística na distribuição dos materiais adquiridos” e que o Executivo buscou sanar os problemas. Em relação à denúncia de materiais didáticos com equívocos de matemática e de português, Mauro Pinheiro ressalta que “os livros adquiridos com erros foram imediatamente devolvidos e trocados, sem custo algum para o município”.
A adesão a atas de registro de preços, forma de contratação utilizada pela Smed para compra dos materiais e alvo de questionamentos ao longo da CPI, “está em consonância com os ditames legais” e é utilizada por outros órgãos, ressalta o relator. “Não existe óbice jurídico para que o Município de Porto Alegre faça a adesão às atas de registro de preço de órgãos ou entidades de outra esfera de governo, mesmo diante da falta de regulamento municipal detalhado sobre tema”, afirma.
O vereador registra que a Smed, em resposta à CPI, informou que “não houve desperdício de dinheiro público, uma vez que todos os materiais pedagógicos e equipamentos foram adquiridos de acordo com o número de alunos matriculados na rede municipal e estão diretamente imbricados nos programas estratégicos da Smed de inovação, recuperação e qualificação da aprendizagem” da rede pública municipal. Conforme Mauro Pinheiro, “tal informação não foi contraditada de forma contundente pelas provas colhidas” e “efetivamente a quantidade de materiais adquirida está em consonância com as necessidades de rede municipal de ensino”.