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Daniel de Souza, filho de Betinho e presidente da ONG Ação da Cidadania: “Andamos 30 anos para trás”
Foto: Ação da Cidadania/ Divulgação
A Ação da Cidadania completou, em abril deste ano, 30 anos de fundação, mas uma série de ações continuarão acontecendo até 24 de abril de 2024 para marcar a criação do movimento lançado em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997).
Nesta semana, foi apresentado o trabalho do artista plástico Vik Muniz, que recriou o rosto de Betinho com arroz e feijão dentro de um prato, símbolo do movimento. A imagem ilustrará a capa de livro dos 30 anos que deverá ser lançado em setembro.
“O dia 24 de abril é a data que a gente marca como o primeiro encontro, o pontapé inicial da Ação da Cidadania, mas tem bastante coisa acontecendo e vai acontecer. Tem a série sobre o Betinho na Globoplay, lançamos agora há pouco um clipe sobre o Natal Sem Fome de 2023, que começa em outubro, há também muitos projetos culturais e sociais sendo formatados. Tem bastante coisa”, enumera Daniel de Souza, presidente da Ação da Cidadania e filho do fundador.
Segundo ele, apesar do Brasil ter conseguido sair do Mapa da Fome da ONU em 2014, o país vivenciou um grande retrocesso a partir da queda de Dilma Rousseff.
O próprio site da ONG que inicialmente se chamava Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria deixa claro ao registrar: “Andamos 30 anos para trás”.
Se em 1993 Betinho mobilizou a sociedade para tirar 32 milhões de pessoas da fome, agora, segundo dados oficiais, há pelo menos 33 milhões de famintos no país.
São vítimas do período em que Jair Bolsonaro (PL) esteve no poder, quando a pobreza alcançou o seu pior nível desde o início da série histórica em 2012. O número geral de pobres subiu de 25,1% para 29,6% entre 2020 e 2021 e atingiu 62,9 milhões de brasileiros.
Outros dados mostram como a situação é dramática e como é importante movimentos como a Ação para a Cidadania.
De acordo com o Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça: Poder, Política e Desigualdades Alimentares na Bioeconomia, sediado na Universidade Livre de Berlim, cerca de 125 milhões de pessoas no Brasil, quase 60% da população têm algum nível de insegurança alimentar hoje. Nesse grupo, em torno de 15%, ou seja, 30 milhões, são casos considerados graves.
A publicação que terá a ilustração de Vik Muniz na capa para celebrar os 30 anos da Ação da Cidadania foi escrito por Plínio Fraga e Ana Redig. O livro destaca os cinco anos mais recentes de atuação da entidade, quando o Brasil voltou a integrar o Mapa da Fome.
Os recursos obtidos com a vendas será destinada à compra de cestas básicas que serão doadas para pessoas carentes.
Nos seus 30 anos de existência, a Ação da Cidadania já distribui mais 55 mil toneladas de alimentos, cerca de 275 milhões de pratos de comida e deu assistência para em torno de 6 milhões de famílias, 26,4 milhões de pessoas.
Só em 2021, pior ano da pandemia, a organização socorreu mais de 3 mil entidades beneficentes.