Ocupação de leitos de UTI ultrapassa 90% e deixa hospitais de Porto Alegre em estado de alerta

Aumento de casos graves de Covid-19 somado à demanda por UTI para pacientes de outras enfermidades aumenta pressão sobre o sistema de saúde

 

No principal hospital de referência no tratamento de pacientes com Covid-19 da capital, apenas dois dos 58 leitos dedicados estão disponíveis

No principal hospital de referência no tratamento de pacientes com Covid-19 da capital, apenas dois dos 58 leitos dedicados estão disponíveis

Foto: Ascom HCPA/ Arquivo

O retorno do crescimento da pandemia em Porto Alegre continua. Nesta quarta-feira, 25, de acordo com dados consolidados pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), 249 Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) da capital estão sendo ocupados por pacientes vitimados pela Covid-19. São 248 adultos e uma criança com a doença confirmada. A situação é preocupante porque, somando outras enfermidades, as UTIs estão perto de sua ocupação total, com lotação de 91,02% de leitos para adultos e 80,19% para crianças.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS), o Rio Grande do Sul tem 306.335 casos confirmados, sendo 4.654 registrados nas últimas 24 horas, e 6.639 mortes, das quais 66 notificadas desde a terça-feira, 24. A taxa de ocupação de UTIs no estado atingiu 75,7% – são 1.917 pacientes em 2.531 leitos. Porto Alegre tem 54.770 casos confirmados e 1.482 óbitos confirmados.

Hospitais públicos e privados no limite

Equipes de UTI do Hospital Conceição, onde 70 dos 75 leitos estão ocupados, 28 por pacientes Covid-19

Equipes de UTI do Hospital Conceição, onde 70 dos 75 leitos estão ocupados, 28 por pacientes Covid-19

Foto: Imprensa GHC

Se por um lado Porto Alegre é a segunda capital brasileira com o maior número de leitos para tratamento intensivo por 100 mil habitantes no Brasil e está com 31,67% de suas UTIs ocupadas pela Covid-19, dados vindos da rede hospitalar pública e privada ligaram o sinal de alerta para o retorno do crescimento de casos do novo coronavírus.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que detêm o maior número de leitos (147) está com 56 dos 58 leitos destinados a pacientes Covid-19 ocupados.

Na consolidação diária que o Clínicas faz, no início desta manhã ainda contabiliza 25 adultos internados em condições estáveis, 10 em estado de emergência e oito casos suspeitos. Entre as internações no hospital, que é gerido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), ainda se encontra uma grávida.

O Hopital Nossa Senhora Conceição, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) tem 75 leitos operacionais UTI, dos quais 70 estão ocupados, sendo 28 pacientes Covid-19. O segundo maior hospital-referência em Covid-19 da capital, a Santa Casa de Misericórdia, está com lotação de 103 dos 127 leitos disponíveis, dos quais são 35 pacientes graves de Covid-19.

Momento de apreensão

Foto: Imprensa GHCMas não é só o hospital da Ufrgs, que no auge da pandemia chegou a dedicar 105 leitos para a Covid-19, que se encontra em momento de apreensão. Importantes hospitais da rede privada de Porto Alegre começam a apresentar a ameaça de saturação da totalidade dos seu leitos de UTI.

É o caso do Moinhos de Ventos, que opera com 61 leitos para tratamento intensivo e está com 31 ocupados por portadores do novo coronavírus. Em uma situação um pouco melhor, o Mãe de Deus está com 24 dos seus 60 leitos ocupados.

No monitoramento que contempla os 17 maiores hospitais do município, ainda é verificado que 16 casos graves de pacientes internados em emergências aguardam leito de tratamento intensivo.

Pacientes em ventilação mecânica fora de uma UTI, em Porto Alegre, hoje são nove, e crianças com suspeitas de Covid-19, quatro.

Esse quadro ameaça a situação dos atuais 31 pacientes sem Covid-19 que aguardam nos leitos das emergências por uma vaga para tratamento intensivo.

Com atuais 783 leitos de UTI operacionais para adultos, Porto Alegre chegou a 850 no até então auge da pandemia, entre setembro e agosto. Hoje, a ocupação das UTIs na cidade é o maior desde 27 de outubro, quando haviam 246 pacientes internados em leitos intensivos.

Aumento de casos e pandemia mais agressiva

No posto Modelo, dois profissionais de saúde morreram na última semana após serem infectados

No posto Modelo, dois profissionais de saúde morreram na última semana após serem infectados

Foto: João Ezequiel/Simpa

Uma sequência de quedas e as boas notícias com avanços nas pesquisas para uma vacina eficaz contra a Covid-19 pareciam mostrar que a pandemia estaria com os seus dias contados na capital gaúcha. O melhor momento do município foi verificado no dia 5 de novembro passado, quando 197 pessoas estavam ocupando as UTIs das redes hospitalares públicas e privadas.

Desde esse dia, no entanto, houve uma virada. Houve uma interrupção na queda que vinha se acentuando no número de contágios seguida de um crescimento do número e da gravidade dos casos confirmados de Covid-19.

O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre reiterou a reivindicação à SMS de continuidade da testagem para todos servidores da saúde e o fornecimento adequado de EPIs, bem como a transferência do local da tenda de atendimento aos pacientes suspeitos de contágio pelo coronavírus no posto Modelo da capital. Dois servidores da Saúde morreram nos dia 17 e 18 de novembro depois de contraírem o vírus no local.

Nova onda: recorde mundial de mortes

A última terça-feira, 24, registrou um novo recorde global diário de mortes por Covid-19 e o total de vítimas ultrapassou 1,4 milhão, de acordo com a plataforma de acompanhamento da pandemia da Universidade Johns Hopkins (EUA) divulgado nesta quarta-feira, 25.

Foram 12.785 óbitos, que superaram a marca anterior de 11.840 mortes registradas na sexta-feira, 20.

Durante quatro dias seguidos na última semana foram mais de 11 mil vítimas do novo coronavírus e 200 mil novas mortes em 23 dias.

A elevação do número de mortes coincide com a denominada “segunda onda” da pandemia, que vem varrendo com maior intensidade a Europa e já atingiu os Estados Unidos. O país mais populoso do mundo já ultrapassou as 250 mil mortes. Nas últimas 24 horas, os EUA registraram 2.146 novas mortes, a maior incidência desde 6 de maio. O Brasil já ultrapassou 170 mil óbitos e o México é o quarto país do mundo a superar as 100 mil vítimas fatais por Covid-19.

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