Partidos entram contra Moro na PGR

Medida alerta que ministro descumpriu Constituição ao determinar investigação da PF contra jornalista do site The Intercept
Moro inringiu artigo 5º da Constituição ao mandar a PF investigar Greenwald, numa reação à série de reportagens #Vazajato, do site The Intercept

Moro inringiu artigo 5º da Constituição ao mandar a PF investigar Greenwald, numa reação à série de reportagens #Vazajato, do site The Intercept

Foto: Divulgação

Partidos de oposição ao governo Bolsonaro protocolaram nesta quinta-feira, 4, junto à Procuradoria Geral da República (PGR) representação contra o ministro da Justiça, Sergio Moro, por possível tentativa de violação do sigilo da fonte e da liberdade jornalística que são asseguradas no artigo 5º da Constituição Federal. O que deflagrou a ação foi uma nota publicada no site de direita O Antagonista revelando que a Polícia Federal teria solicitado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informações sobre movimentações financeiras do jornalista Gleen Greenwald, fundador do site de jornalismo investigativo The Intercept. Desde 9 de julho, o veículo tem revelado uma série de conversas entre procuradores da força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Moro, caracterizando possível conluio no processo do ex-presidente Lula.

Originariamente proposta pela bancada do PSol, a medida acabou ainda sendo assinada também pelo PT, PDT, PSB, PCdoB e Rede.

Para os partidos, qualquer tentativa de intimidar jornalistas contraria a Constituição, as leis e os Tratados Internacionais de Direitos Humanos, assim como tentar violar o sigilo da fonte constitui um grave atentado aos Direitos Fundamentais. Para o deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ) a ideia é evitar que Greenwald seja “vítima de abuso de autoridade”.

“É inaceitável qualquer tentativa de intimidação contra jornalistas. Na condição de ministro, Sergio Moro pode orientar politicamente, de forma ilegal e inconstitucional, a atuação da Polícia Federal. Por isso é necessário que a investigação seja rápida e eficiente, prevenindo o cometimento de ilicitudes”, diz trecho da representação. Os partidos não descartam outras ações para assegurar ao jornalista as garantias constitucionais para o exercício da profissão, sendo uma delas o possível ingresso de ação no STF.

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