Senado aprova MP que devolve demarcações à Funai

Pelo texto, que desfaz as alterações realizadas pelo governo Bolsonaro, o órgão também voltou a integrar o Ministério da Justiça, como pediam os povo indígenas
15 Acampamento Terra Livre, Brasília 2019

Em abril, representantes dos povos indígenas estiveram reunidos em Brasília, no 15º Acampamento Terra Livre, quando reivindicaram a volta das demarcações à Funai

Foto: Pablo Albarenga/Proteja Amazônia

O Senado aprovou na terça-feira, 28 de maio, a Medida Provisória (MP) 870/2019 que devolve as demarcações de terras indígenas à Fundação Nacional do Índio (Funai) e o órgão indigenista ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJ). O texto aprovado desfez as alterações realizadas pelo governo Bolsonaro, que vinculou a Funai ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e submeter as demarcações ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), comandado pelos ruralistas, inimigos históricos das pautas indígenas. A MP segue agora para sanção presidencial.

A alteração aprovada era uma reivindicação dos povos indígenas que, em abril, durante o 15º Acampamento Terra Livre, tiveram audiência em Brasília com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Ambos se comprometeram em alterar o texto original da Medida. O Acampamento reuniu cerca de três mil indígenas, de 106 povos de 21 Estados, e contou com debates, protestos e atos públicos.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) emitiu nota sobre a Medida aprovada em que destaca que este resultado é fruto da união das forças de várias pessoas e instituições; parlamentares, de indígenas e de indigenistas. “Esse resultado apenas vem confirmar o quanto a representação indígena no Congresso Nacional é essencial”, diz o texto.

Entraves

Para a Apib, apesar das vitórias, ainda é necessário acompanhar dos desdobramentos. “Estamos acompanhando de perto os trabalhos no Congresso Nacional, unidos e ao lado das pessoas certas. Não admitiremos que os ruralistas deem o tom do que deve acontecer com a terra nesse país”.

Aliados do governo já sinalizam sua contrariedade à aprovação da MP. “Quero deixar claro aos produtores rurais que, independente do que acontecer agora, o presidente Bolsonaro não vai mais assinar demarcação de Terras Indígenas. Não assinou desde o dia 1º de janeiro e não vai assinar. Porque o presidente entende que os índios nunca tiveram as terras. Elas sempre foram da União”, disse a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) durante a votação da Medida, reafirmando o posicionamento governista. Caso não fosse votada, a medida perderia validade no dia 3 de junho.

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