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Por respostas efetivas à violência de gênero
É no nível local que se pode articular medidas protetivas em rede, como visitas policiais,…
Ao completar 30 anos, o Jornal Extra Classe reafirma o sentido de uma pergunta que acompanha sua trajetória desde a primeira edição: jornalismo para quê? A resposta se construiu ao longo de três décadas de reportagem, investigação e reflexão sobre questões que atravessam a vida social, política e econômica do país. Não à toa, o reconhecimento da sociedade veio por meio dos mais de 50 prêmios de Jornalismo.
Todo jornal possui uma personalidade. Ela nasce do conjunto de pautas, abordagens e valores que orientam suas escolhas editoriais. No caso do Extra Classe, a atualidade da notícia nunca foi o único critério. Mais importante sempre foi a urgência das temáticas e a capacidade de situá-las em um contexto mais amplo, indo além do factual e das inclinações empresariais do noticiário cotidiano.
Essa perspectiva implica compreender o jornalismo como atividade essencial à democracia. Mais do que oferecer respostas fechadas, cabe à imprensa levantar perguntas, apresentar diferentes ângulos e estimular o debate democrático, mesmo quando se tem lado, no caso o interesse público. Quando os meios de comunicação se concentram nas mãos de poucos grupos, cresce o risco de que a informação seja utilizada para preservar privilégios e naturalizar desigualdades. Foi justamente para tensionar essa lógica que nasceu o Extra Classe.
Desde a primeira edição, em março de 1996, assuntos ligados ao mundo do trabalho ocuparam um espaço central. O jornal acompanhou a flexibilização das relações trabalhistas, a precarização de diferentes categorias profissionais e os efeitos das reformas que atingiram direitos históricos. Ao mesmo tempo, buscou revelar realidades muitas vezes invisíveis no noticiário tradicional.
A educação também esteve no centro do debate. Ainda nos anos 1990, o Extra Classe alertava para o avanço da mercantilização do ensino e para a transformação do estudante em “cliente”, antecipando discussões que ganhariam força nacional nas décadas seguintes.
Outros temas estruturantes acompanharam essa trajetória. O jornal abriu espaço para intelectuais que questionaram o neoliberalismo e os impactos da globalização, analisou alternativas como a economia solidária e investigou o poder crescente das corporações. Já no final dos anos 1990, ao examinar os efeitos sociais da globalização e o avanço de discursos autoritários, o Extra Classe apontava sinais da escalada da extrema direita no Brasil e no mundo. No início da década de 2010, voltou a alertar para os riscos às instituições democráticas brasileiras – e que outras democracias passariam a enfrentar –, temores esses que o célebre jurista italiano Luigi Ferrajoli externou em sua entrevista ao EC, o que se confirmaria nos anos seguintes.
As questões indígenas, o debate antirracista, a inclusão de pessoas com deficiência, a denúncia da violência contra as mulheres e a atenção permanente às questões ambientais também marcaram suas páginas. Ao tratar desses e de muitos outros tópicos, o jornal buscou ampliar a visibilidade de conflitos e desigualdades que atravessam a sociedade brasileira.
Esse conjunto de escolhas ajudou a consolidar uma identidade editorial reconhecida por leitores de diferentes posições políticas. Ao longo de 30 anos, o Extra Classe manteve um princípio simples e exigente: fazer jornalismo comprometido com o debate público, com a pluralidade de ideias e com a defesa da democracia.