Trabalhadores da economia informal constroem agenda global

Representantes de 20 países, reunidos em São Paulo nesta semana, reforçaram articulação internacional por reconhecimento, direitos e transição justa da informalidade para a formalidade

Encontro reunido representantes da África do Sul, Peru, Reino Unido, Estados Unidos, México, Egito, Brasil, Quênia, Filipinas, Índia, Zimbabue, Uruguai, Chile, Itália, Portugal, Ucrania, Costa Rica, Hong Kong, República Dominicana e Canadá

Foto: Eduardo Derrico/HNI-IDWF

Se encerrou nesta quinta-feira, 5, o encontro que reuniu no Brasil representantes de trabalhadores da economia informal de quatro continente — África, América (Norte e Sul), Europa e Ásia. A atividade se deu para avançar na construção de uma agenda política comum entre as redes globais que representam esses setores historicamente excluídos dos marcos formais de direitos trabalhistas.

Para a sul-africana Laura Alfers, coordenadora internacional da Wiego, rede global que apoia a mobilidade de trabalhadores em situação de emprego informal, especialmente mulheres e pessoas que vivem em situação de pobreza, o momento é de olhar para frente e reorganizar estratégias.

Laura Alfers, coordenadora da Wiego

Foto: Eduardo Derrico/HNI-IDWF

“O contexto global mudou significativamente em relação há quatro anos. Se queremos continuar construindo poder coletivo, precisamos nos adaptar a esse novo cenário para seguir relevantes diante das realidades que os trabalhadores enfrentam hoje”, afirmou.

Desafios da agenda global

Do Zimbabue, a presidente da StreetNet International, aliança global de organizações de vendedores e vendedoras ambulantes e de mercados populares, Lorraine Ndhlovu, entende que o encontro reforçou a necessidade de unidade.

“Para enfrentar desafios globais, os trabalhadores precisam estar unidos. Nosso compromisso é seguir construindo solidariedade de forma intersetorial”, destacou.

Lorraine Ndhlovu, presidente da StreetNet International

Foto: Eduardo Derrico/HNI-IDWF

A ideia de articulação concreta entre os diferentes setores foi central na fala do brasileiro Severino Lima, presidente da Aliança Internacional de Catadores e

Catadoras (IAWP). Ele ressaltou que o encontro resultou em um acordo político entre as quatro redes globais.

“Estamos construindo pautas comuns que tratam do reconhecimento do trabalho informal, da justiça de gênero, dos direitos humanos e da saúde, além da transição justa da informalidade para a formalidade”, explicou.

Severino Lima Junior – Presidente da Aliança Internacional de Catadores e Catadoras

Foto: Eduardo Derrico/HNI-IDWF

Segundo Lima, essa articulação permitirá atuações conjuntas em espaços como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e sistemas regionais de direitos humanos.

A secretária-geral da Federação Internacional das Trabalhadoras Domésticas (IDWF), a mexicana Adriana Paz, reforçou que a exclusão vivida pelas trabalhadoras domésticas se conecta diretamente às experiências de outros setores da economia informal.

“Nossos locais de trabalho não são reconhecidos como espaços tradicionais, e, muitas vezes, nosso trabalho nem sequer é visto como trabalho. A luta comum é pelo reconhecimento, mas também pela superação de preconceitos de classe, raça e gênero”, afirmou, destacando que mudanças legais precisam caminhar junto com transformações culturais profundas.

Compromisso de agenda compartilhada

Jemima Nyakongo, coordenadora Internacional da HomeNet Internacional

Foto: Eduardo Derrico/HNI-IDWF

Na mesma linha, Jemima Nyakongo, do Quênia e coordenadora internacional da HomeNet International, destacou que o encontro fortaleceu o compromisso de transformar o diálogo em ação concreta.

“Precisamos levar essas pautas para os países e regiões, fortalecer organizações de base e garantir que trabalhadores a domicílio sejam vistos, ouvidos e respeitados como sujeitos de direitos”, afirmou.

Ao final do encontro, as organizações reafirmaram o compromisso de manter uma agenda internacional compartilhada, com desdobramentos regionais e nacionais.

No Brasil, esse processo já dialoga com iniciativas intersetoriais e articulações políticas em curso, reforçando o papel do país como espaço estratégico na luta global por trabalho decente, reconhecimento e justiça social para milhões de trabalhadores e trabalhadoras da economia informal.

O encontro internacional dos trabalhadores da economia informal aconteceu entre os dias 2 e 5 de fevereiro, em São Paulo. No total, 20 países estiveram presentes.

A abertura ocorreu na sede nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e as atividades seguintes foram realizadas no Hotel Leques, no bairro da Liberdade. O encontro contou com a participação de representação da Organização Internacional do Trabalho (OIT)

Participaram do encontro lideranças da Wiego, StreetNet International, IAWP, IDWF e da HomeNet International, rede global de organizações de trabalhadores e trabalhadoras a domicílio.

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