Política
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A nova onda de atos se aqueceu após a morte de dois cidadãos norte-americanos por integrantes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE)
Fotos: Daniel Torok/ White House Facebook/ Reprodução e X/Twin Cities CPUSA
Protestos voltaram a tomar as ruas dos Estados Unidos nos últimos dias; o clima de tensão política e social no ano em que se realizam lá as chamadas eleições legislativas de meio de mandato se amplia. As mobilizações estão ocorrendo em diversas de cidades para questionar diretamente o presidente Donald Trump, suas políticas migratórias e a forma autoritária de exercício do poder Executivo.
A nova onda de atos se aqueceu após a morte de dois cidadãos norte-americanos por integrantes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na cidade de Minneapolis. Mãe de três filhos, Renée Good foi morta a tiros durante uma operação de fiscalização no dia 7 de janeiro. No sábado, 24, o enfermeiro Alex Jeffrey Pretti também tombou sob às mãos de um agente do ICE em meio à protestos na mesma cidade.
As manifestações no importante município do estado de Minnesota rapidamente se espalharam para outros estados e se conectou a um movimento nacional mais amplo de contestação ao governo Trump. É o No Kings (Sem Reis), referência direta à rejeição de práticas consideradas autoritárias.
Segundo estimativas e análises da imprensa norte-americana, as manifestações do No Kings reuniram entre 4 e 6 milhões de pessoas em junho de 2025. Em outubro do mesmo ano, o número de participantes teria ultrapassado 7 milhões, em atos que se realizaram simultaneamente nos 50 estados do país.
Agora, as manifestações contra a política de imigração e o uso da força por agentes federais voltaram a crescer. Aos protestos de Minneapolis se somaram outros em Nova York, Los Angeles, San Francisco e Boston. São milhares de pessoas que estão contando com a adesão de sindicatos, estudantes, movimentos de direitos civis, igrejas e organizações comunitárias.
Um dos episódios que mais chamou atenção ocorreu na última sexta-feira, 23. Cerca de 100 líderes religiosos foram presos durante um protesto pacífico no Aeroporto Internacional de Minneapolis. O grupo, formado por representantes de diferentes confissões, realizava uma ação de oração e desobediência civil contra deportações de imigrantes promovidas pelo governo federal.
Sacerdotes católicos e rabinos, entre outros, foram acusados de obstrução de área restrita e descumprimento de ordens policiais. O episódio reforça a dimensão moral e simbólica dos protestos e provocou reações de igrejas, organizações inter-religiosas e entidades de direitos humanos.
Os protestos já produziram efeitos concretos. Um jogo da principal liga profissional de basquete do mundo, a NBA, foi adiado em Minneapolis por questões de segurança; empresas e grandes corporações divulgaram notas públicas pedindo a desescalada do conflito, e sindicatos — como a AFL-CIO, a maior central sindical do país, passaram a exigir mudanças na atuação do ICE.
No campo político, as manifestações ampliam a pressão sobre o governo Trump e aprofundam a polarização em Washington. Analistas norte-americanos apontam que o volume e a capilaridade dos protestos colocam os temas da imigração, dos direitos civis e dos limites do poder presidencial no centro do debate público.
O crescimento das mobilizações ocorre em um momento importante para a política norte-americana: 2026 é ano de eleições legislativas nos Estados Unidos, quando estarão em disputa todos os assentos da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Tradicionalmente, essas eleições funcionam como um termômetro político para o governo em exercício.
Para a oposição, os protestos sinalizam um ambiente favorável à mobilização do eleitorado crítico a Trump. Para a Casa Branca, o desafio é conter o desgaste político sem recuar de uma agenda que segue sendo apresentada como central para sua base eleitoral.