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Por respostas efetivas à violência de gênero
É no nível local que se pode articular medidas protetivas em rede, como visitas policiais,…

Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil
A nova cruzada contra o chamado “narcoterrorismo” tem menos a ver com segurança pública e mais com o velho jogo político e geopolítico. Ao equiparar facções criminosas a organizações terroristas, governadores e ministros da extrema direita buscam construir uma narrativa de guerra, com inimigos absolutos e soluções autoritárias. O termo, importado dos Estados Unidos, serve mais como instrumento de manipulação do medo do que como resposta racional à violência urbana.
A estratégia é transparente. Sob o pretexto de combater o crime, a extrema direita tenta reocupar o espaço perdido na arena política, especialmente após o desgaste dos discursos golpistas e de anistia. Ao transformar comunidades inteiras em “territórios terroristas”, abre-se caminho para o extermínio e a suspensão de direitos, em nome da “ordem”. É a retórica da bala, que fabrica caos para colher votos e abrir espaço para outros grupos criminosos (aliados?).
Incrível como nunca se ouve ou lê manchetes nos noticiários fluminenses sobre alguma megaoperação da Secretaria de Segurança contra as milícias, que já detêm boa parte dos territórios, extorquindo negociantes e cidadãos. O Caso Marielle Franco ainda é uma ferida aberta, e os massacres praticados pelo Estado são seletivos. Aliás, cabe o termo “terrorismo de Estado”?
Só que há muito mais em jogo. A tentativa de classificar o Comando Vermelho e o PCC como grupos terroristas – inclusive com pedidos formais aos Estados Unidos – revela um alinhamento geopolítico, além de subserviente, muito perigoso. Sob a capa da “cooperação antiterrorismo”, o Brasil se oferece novamente à tutela norte-americana. O retorno disfarçado da Doutrina Monroe – “a América para os americanos”, ou melhor, para Washington – transforma nossa soberania em moeda de troca (de baixíssimo valor).
Do ponto de vista técnico, a narrativa é insustentável. O tráfico busca lucros e influência no sistema; o terrorismo visa destruir o Estado. Misturar as duas coisas não é apenas erro conceitual, mas também uma escolha política. E, como alertam especialistas, banalizar o termo “terrorismo” enfraquece a própria capacidade do Estado de reagir a ameaças reais.
Enquanto o palco se ilumina com discursos sobre “narcoterrorismo”, as soluções concretas seguem fora de cena. O tráfico de armas, que abastece as facções, permanece intocado. As prisões, que são o verdadeiro centro de comando do crime, seguem superlotadas e esquecidas. E a inteligência policial, ferramenta essencial de prevenção, continua subfinanciada.
A histeria em torno do “narcoterrorismo” é, portanto, uma cortina de fumaça. Serve para esconder a incompetência de quem governa, justificar políticas de exceção e reposicionar a extrema direita no jogo eleitoral. No fundo, a guerra que se trava não é contra o crime, mas contra a razão, contra a democracia e contra o próprio Brasil.