Política
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Foto: Cláudio Fachel/ALRS
No final da tarde desta segunda-feira, 8, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Concessionárias de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul realizou a primeira de sete audiências públicas para ouvir denúncias de moradores sobre a precariedade do serviço prestado pela CEEE Equatorial. O encontro, em formato híbrido no Plenarinho da Assembleia Legislativa (ALRS), reuniu parlamentares, vereadores e lideranças comunitárias de Porto Alegre e Região Metropolitana.
O presidente da CPI, deputado Miguel Rossetto (PT), destacou que o colegiado investigará as falhas e proporá medidas concretas. “Nossa comissão tem como objetivo investigar esses problemas, essas irregularidades e sugerir iniciativas potentes que possam melhorar a qualidade da prestação de serviços, de um serviço que é público, pago pela nossa população e regido por contratos, onde as concessionárias têm obrigações a cumprir”, afirmou.

PORTO ALEGRE
O funcionário público aposentado Jorge Airton Ramires, do Partenon, relatou ter ficado 16 dias sem luz após uma árvore derrubar os fios em frente à sua casa, enquanto sua esposa fazia quimioterapia. “Houve um descaso do poder público com o pagador de impostos. Liguei para Defesa Civil, Anatel, Procon e Reclame Aqui. Ninguém resolveu. O que resolveu foi expor minha esposa com câncer para conseguir suporte”, desabafou.
Foto: Cláudio Fachel/ALRS
O morador Leonardo Bauer Maggi, do bairro Mont Serrat, disse que estava sem energia elétrica no momento da audiência. “Começou a chover, falta luz. A Equatorial não escolhe bairro, ela é democrática”, ironizou, criticando a privatização e os impactos nas tarifas.
O conselheiro do Orçamento Participativo da Cruzeiro, Juarez Souza de Oliveira, denunciou a cobrança de multas de até R$ 1,7 mil após força-tarefa da Equatorial. “Isso pra mim é um assalto. Não estou defendendo quem estava irregular, mas a empresa enganou a comunidade”, disse.
ALVORADA
Alexandre Félix da Rosa, do Jardim Algarve, afirmou que nunca houve situação tão crítica no fornecimento. “Há dois anos meu bairro vem sofrendo continuamente. No verão, faltava energia todos os dias, a partir das 20h30. No outro dia, só voltava ao meio-dia”, contou. Ele relatou perda de alimentos e eletrodomésticos e ironizou as justificativas da empresa: “Disseram que poderia ser 20 pessoas tomando banho ao mesmo tempo ou ‘gatos’. É uma situação insustentável”.
GUAÍBA
A líder comunitária Dirce Kruger, do bairro Ipê, disse que a ampliação da rede não acompanhou o aumento de famílias. “Nosso receio é que, no momento de corte de luz, cortem a energia de algum morador e este não consiga religar porque a rede está condenada”, alertou. Segundo ela, a única creche da região fechou há três anos pela falta de energia.
VIAMÃO
O ex-prefeito Eliseu Ridi Chaves, morador do bairro Santa Isabel, criticou a deterioração dos serviços após a privatização. “Demitiram os funcionários antigos, experientes, e contrataram inexperientes com cursos de curta duração. Até chegar a equipe correta, passam-se dias”, disse. Ele também citou mortes de funcionários e a de uma criança de 11 anos, em 2024, atingida por fio energizado.
ELDORADO DO SUL
O presidente da Associação de Moradores Atingidos pelas Enchentes, José Odeni do Prado de Lara, lembrou que, no tempo da estatal, havia isenção de contas após alagamentos. “Agora, a CEEE Equatorial concedeu prazo, mas depois cobrou e a conta veio mais cara”, criticou.

Arte: EC
Além de Rossetto, participaram os deputados Laura Sito (PT), Stela Farias (PT), Sofia Cavedon (PT), Capitão Martim (Republicanos), Marcus Vinícius (PP), Luciano Silveira (MDB), Tiago Cadó (PDT), Elton Weber (PSB), Halley Lino (PT) e Tiago Simon (MDB). Vereadores da Região Metropolitana e o ex-prefeito José Fortunati também estiveram presentes.
Parlamentares questionaram os convidados após cada depoimento, reforçando a preocupação com o agravamento das falhas desde a privatização da CEEE pelo governo Eduardo Leite.
A CPI aprovou convite a 12 prefeitos, incluindo o de Porto Alegre, Sebastião Melo, e à Famurs. Também confirmou a realização de audiências públicas em Santana do Livramento, Caxias do Sul, Novo Hamburgo e Erechim, além das já previstas em Porto Alegre, Osório e Rio Grande.
“A CPI demonstra claramente sua intenção de ampliar ao máximo a escuta da comunidade em relação à qualidade da prestação de serviços públicos”, disse Rossetto. A próxima reunião ocorre na segunda-feira, 15, às 16h, na Assembleia Legislativa, seguida pela segunda audiência pública.