GHC anuncia projeto bilionário para unificar hospitais Fêmina e Criança

Projeto do Grupo Conceição corrige problemas estruturais, cria centro de ensino e terá novo modelo de acolhimento para familiares de pacientes

GHC anuncia projeto bilionário para unificar hospitais Fêmina e Criança

Foto: GHC/Divulgação

A unificação dos hospitais Fêmina e Criança, unidades do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) no complexo da instituição no bairro Cristo Redentor, em Porto Alegre, foi anunciada nesta segunda-feira, 25. O investimento é de aproximadamente R$ 1 bilhão. Segundo o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, a iniciativa prevê uma estrutura hospitalar moderna, sustentável e digital, viabilizada por meio de Parceria Público-Privada (PPP). Em paralelo, outras obras de expansão somam mais R$ 500 milhões para fortalecer a iniciativa e o Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.

A nova unidade corrige limitações estruturais históricas do Hospital Criança. Conforme Barichello, o prédio foi projetado na década de 1970 para infectologia. “Os corredores são muito estreitos, os quartos muito pequenos. Às vezes, quando o médico precisa atender a criança, a mãe tem que sair. A parede é estrutural, então não dá para fazer reformas profundas”, explicou.

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O projeto prevê não apenas a fusão dos dois hospitais, mas também a criação de um centro de ensino, pesquisa e formação. A medida reforça o papel do GHC como um dos maiores polos de formação em saúde do país. A instituição oferece residências médicas, cursos técnicos e de pós-graduação.

Anualmente, o GHC disponibiliza cerca de 500 vagas em mais de 60 programas de residência médica. Mais de mil profissionais já foram formados pela Residência Multiprofissional e mais de 200 técnicos de enfermagem pela Escola Técnica da instituição. Em 2025, foram abertas vagas para mestrado profissional em Avaliação de Tecnologias para o SUS e para cursos Fellow (aperfeiçoamento de curta ou média duração) em áreas de cirurgia e especialidades médicas.

O projeto inclui ainda a construção de um prédio ambulatorial, para ampliar consultas especializadas, e de uma central de logística automatizada, que atenderá as 23 unidades da rede em Porto Alegre.

Barichello afirmou que uma das ideias é transformar o Hospital Criança em casa de acolhimento para familiares de pacientes, após a realocação na nova estrutura. O espaço será voltado, em especial, para mães que precisam permanecer próximas aos filhos em internações prolongadas. “A gente sabe que o familiar faz parte do cuidado da pessoa. É preciso viabilizar estruturas que sejam uma extensão do cuidado do bebê e da mãe, para que possam estar juntos com dignidade”, ressaltou.

O Hospital Fêmina, atualmente localizado na Av. Mostardeiro, será colocado à venda. A avaliação de mercado do ativo gira em torno de R$ 85 milhões.

Modelo de PPP

Uma negociação com o Grupo Zaffari garantiu “nove mil metros quadrados de área limpos”, celebrou Barichello. “É quase um hectare.” Em troca, o supermercadista recebeu um terreno na Avenida Ipiranga.

O terreno adquirido por R$ 11 milhões foi cedido pelo governo federal. O BNDES será responsável pelo estudo de viabilidade, que deve levar até dois anos. A previsão é de cinco anos para a entrega da obra.

O investimento será viabilizado integralmente pela iniciativa privada. Na modelagem, a gestão assistencial e estratégica permanecerá 100% pública, sob responsabilidade do GHC. Já o parceiro privado fará a construção e, em troca, ficará com contratos de serviços de apoio não assistenciais — como manutenção predial, segurança, limpeza e estacionamento — por até 35 anos.

Além da unificação, o GHC abrirá nesta semana a licitação para a construção de um Centro de Diagnóstico, orçado em R$ 250 milhões. A unidade, localizada em frente ao prédio administrativo do Conceição, vai unificar diagnósticos por imagem e laboratoriais, ampliando em 700 mil exames anuais a capacidade de atendimento.

Com isso, o investimento total previsto chega a R$ 1,5 bilhão. Para Barichello, trata-se de uma resposta concreta às demandas do SUS em Porto Alegre.

GHC anuncia projeto bilionário para unificar hospitais Fêmina e Criança

Segundo o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, a iniciativa prevê uma estrutura hospitalar moderna, sustentável e digital, viabilizada por meio de Parceria Público-Privada (PPP)

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

1º Congresso GHC debaterá saúde e emergência climática

O presidente do GHC também destacou a realização do 1º Congresso do Grupo Hospitalar Conceição (GHC). O evento ocorrerá entre os dias 28 e 30 deste mês, na Fiergs, e tem inscrições gratuitas.

Até o momento, mais de 1.800 pessoas de todo o Brasil já se inscreveram. Delegações da Espanha, Itália e Mianmar também confirmaram presença. O tema central será o impacto das emergências climáticas sobre a saúde.

“O setor da saúde é o que mais sofre com os efeitos das mudanças climáticas. Esse congresso é um espaço fundamental para pensar soluções”, afirmou Barichello. A abertura oficial será no dia 28, às 17h, com a presença confirmada do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Grupo Hospitalar Conceição em números

Maior rede pública de hospitais do Sul do Brasil, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) presta atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é referência nacional em assistência e formação em saúde.

A rede conta com entre 1.510 e 1.800 leitos, incluindo unidades de terapia intensiva (UTIs) e emergências. Por ano, são realizadas de 55,9 mil a 63,6 mil internações, cerca de 1,4 milhão de consultas, aproximadamente 33 mil cirurgias e mais de 4,3 milhões de exames.

O GHC emprega de 9,6 mil a 10 mil profissionais e mantém uma estrutura composta por quatro hospitais — Conceição, Criança Conceição, Cristo Redentor e Fêmina —, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), 12 postos de saúde comunitária e três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

No campo do ensino e da formação, o grupo é responsável por preparar um terço dos especialistas médicos do Rio Grande do Sul. Atua ainda como campo de estágio para 24 faculdades e mantém programas de residência, pós-graduação e formação técnica em saúde.

Na atenção comunitária, o GHC atende cerca de 125 mil pessoas em Porto Alegre, o que equivale a 10% da população da capital gaúcha.

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