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Feminicídio cresce 190% em 11 anos e expõe falência da proteção às mulheres
Entre 2015 e 2025, o Brasil acumulou 13.474 vítimas de feminicídio. O crescimento é contínuo,…

Foto: Polícia Civil RS/ Divulgação
A Ugeirm Sindicato, entidade sindical que representa escrivães, inspetores e investigadores de polícia do Rio Grande do Sul, iniciou na terça-feira, 15, uma pesquisa inédita para mapear a incidência de assédio moral, sexual e discriminatório na Polícia Civil do Rio Grande do Sul. O levantamento busca identificar a extensão do problema que, segundo a entidade, contribui para o crescente adoecimento físico e mental dos servidores da segurança pública.
Casos de assédio, pressão por resultados, a rígida hierarquização da corporação e a ausência de políticas de enfrentamento são apontados como fatores que alimentam um ambiente de abuso e sofrimento psicológico.
A pesquisa, aberta a comissários(as), delegados(as), escrivães(ãs), inspetores(as) e investigadores(as) — ativos ou aposentados —, será realizada até 18 de agosto, com garantia de sigilo e anonimato.
“Para combater um problema, é preciso entender. E, para entender, é preciso escutar quem sofre cotidianamente com ele”, afirmou a diretora do Ugeirm Sindicato, Neiva Carla Back. O formulário pretende mapear padrões de conduta, perfis mais afetados, frequência, impactos e relações hierárquicas envolvidas, abrangendo casos ocorridos entre 2015 e 2025. Haverá também espaço para relatos espontâneos.
O sindicato dos policiais lembra que o medo de retaliação e o silêncio imposto pela cultura policial alimentam a subnotificação dos casos, o que impede o combate efetivo ao problema. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2023 mais policiais civis e militares perderam a vida por suicídio do que em confrontos armados. Um desses casos foi o da escrivã Rafaela Drumond, que tirou a própria vida após denúncias de assédio por um colega. Um dos objetivos dessa pesquisa é subsidiar políticas de prevenção e enfrentamento.
Para Neiva, o combate ao assédio é uma questão de saúde, dignidade e sobrevivência. “A pesquisa é o primeiro passo de uma estratégia mais ampla de escuta, acolhimento e construção de propostas que assegurem ambientes de trabalho mais seguros e humanos para todos os profissionais da segurança pública”, concluiu.