Arroz cresce e soja despenca: safra gaúcha recua 9,8% e deve somar 33,2 milhões de toneladas

Produção é impactada pela estiagem e excesso de chuvas, mas RS segue entre os quatro maiores do país; no cômputo nacional houve alta de 14,2%
Arroz cresce e soja despenca - safra gaúcha recua 9,8% e deve somar 33,2 milhões de toneladas

O arroz registrou produção de 8,3 milhões de toneladas, um crescimento de 15,9%, com área plantada de 951,9 mil hectares (+5,7%) e produtividade elevada

Foto: Sebastião José de Araújo / Embrapa

A produção de grãos no Rio Grande do Sul deve atingir 33,2 milhões de toneladas na safra 2024/2025, conforme o 10º levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na manhã desta quinta-feira, 10. O volume representa queda de 9,8% em relação à safra passada. A área plantada no estado também recuou 0,4%, somando 10,38 milhões de hectares.

Apesar dos números expressivos, a safra foi marcada por contrastes. A estiagem, que atingiu principalmente as lavouras de soja, reduziu a produtividade da principal cultura do estado. Em contrapartida, o clima seco beneficiou o arroz irrigado e o milho, plantado mais cedo. Já as chuvas intensas de maio e junho prejudicaram a implantação das culturas de inverno e causaram perdas localizadas em lavouras de trigo e canola.

“Mais uma vez, o clima impactou negativamente a produção gaúcha, especialmente a soja, apesar do esforço dos produtores na manutenção da produção. Para o arroz e milho, os efeitos climáticos foram menores e, aliados aos bons tratos culturais, a produção cresceu em relação à última safra. As atenções agora se voltam para as culturas de inverno, especialmente o trigo, que está sendo implementado e tem no Rio Grande do Sul a maior produção”, afirmou o presidente da Conab, Edegar Pretto.

O arroz registrou produção de 8,3 milhões

O arroz registrou produção de 8,3 milhões de toneladas, um crescimento de 15,9%, com área plantada de 951,9 mil hectares (+5,7%) e produtividade elevada. Segundo Pretto, o sistema de reservatórios e o clima quente favoreceram o rendimento, aproximando a produtividade dos níveis alcançados nas safras de 2016/2017, 2017/2018 e 2020/2021.

A produção de feijão deve alcançar 73,5 mil toneladas, alta de 2,5%, mesmo com recuo de 12,6% na área cultivada (42,4 mil hectares). A primeira safra foi afetada por estiagem e calor, mas a segunda, especialmente em áreas irrigadas, apresentou rendimento 61% superior ao da temporada anterior.

A soja, principal cultura do estado, teve sua colheita encerrada com forte retração na produtividade. Embora tenha havido crescimento de 1,3% na área, com 6,85 milhões de hectares, a produção caiu 27,3%, totalizando 14,28 milhões de toneladas.

Já o milho da primeira safra apresentou bom desempenho. Com redução de 12,2% na área, a produção cresceu 12%, alcançando 5,43 milhões de toneladas. A colheita, no entanto, foi parcialmente prejudicada por chuvas em algumas regiões.

Culturas de inverno enfrentam chuvas e retração

Entre as culturas de inverno, o trigo segue como o mais relevante no estado, com produção estimada em 3,81 milhões de toneladas, redução de 2,6% em relação à safra passada. A área plantada caiu 10,2%. A semeadura enfrenta dificuldades causadas pelo excesso de chuvas, baixa luminosidade e erosão do solo.

A aveia apresenta perspectiva de crescimento, com área de 370,7 mil hectares (+3,9%) e produção estimada em 916 mil toneladas (+8,7%).

A canola tem previsão de crescimento acentuado na área plantada, com 200 mil hectares (+36,9%), mas sofre com chuvas e geadas no início do ciclo. A cevada, por outro lado, mantém tendência de retração, com área 7,6% menor e produção estimada em 102,4 mil toneladas, queda de 11%.

Produção nacional registra alta de 14,2%

No cenário nacional, a safra de grãos 2024/2025 deve alcançar 339,6 milhões de toneladas, crescimento de 14,2% sobre o ciclo anterior. A área plantada é estimada em 81,8 milhões de hectares, aumento de 2,3%, puxado pelo avanço da soja (+3,2%), milho (+2,4%) e arroz (+140,8 mil hectares).

Mesmo com dificuldades enfrentadas pelas culturas de inverno no Sul, a Conab destaca o bom desempenho da agricultura nas demais regiões e cultivos. O Rio Grande do Sul se mantém como o quarto maior produtor de grãos do país, atrás de Mato Grosso, Paraná e Goiás.

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