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Por respostas efetivas à violência de gênero
É no nível local que se pode articular medidas protetivas em rede, como visitas policiais,…

A minissérie Adolescência expõe o impacto que a tecnologia digital produz na formação da subjetividade e da identidade dos adolescentes
Foto: Netflix/ Divulgação
O vício em telefones celulares é identificado por 44% dos jovens brasileiros, com maior incidência em relação às meninas, segundo pesquisa do Instituto Papo de Homem (PDH). Distúrbios alimentares, ansiedade, insônia, pensamentos suicidas, vício em jogos e pornografia são problemas que afetam a saúde desses jovens.
A minissérie inglesa Adolescência, ao retratar o mundo dos celibatários involuntários e o assassinato de uma menina por um colega de 13 anos, expõe o impacto que a tecnologia digital produz na formação da subjetividade e da identidade dos adolescentes.
O mundo digital afeta a constituição psíquica do sujeito em um contexto em que o espaço virtual integra a própria experiência de viver. Um novo modelo de estrutura psíquica é construído, formado por “vários eus”.
As janelas abertas simultaneamente na tela de um computador tornam-se metáforas da condição existencial contemporânea: o sujeito se compreende como um variado sistema operacional com múltiplas janelas abertas, que o conduzem a um “eu descentrado” que existe em muitos mundos e desempenha muitos papéis ao mesmo tempo com identidades e vidas paralelas, como explica a professora norte-americana Sherry Turkle.
Dessa forma, instaura-se um novo vocabulário, uma nova gramática é concebida, e uma nova linguagem, entre palavras e emojis, desvela como o humano se constitui em sua abertura ao mundo.
É nessa perspectiva que o tema da regulação e da responsabilidade das redes sociais deve ser situado. O debate no país foi interditado por uma rasa visão eleitoreira, quando o que está em causa é: como conformar a atuação das plataformas ao dever de proteção das crianças e dos adolescentes. Esse debate precisa ser resgatado. Para que, no mar das interações digitais, não fiquem, crianças, adolescentes, famílias e a sociedade, à deriva, sós, com a inerente vulnerabilidade humana diante de uma silenciosa tecnologia que os absorve. Antes que se perca tudo o que se ama.
Plínio Melgaré é advogado, professor da Escola de Direito da PUCRS e FMP