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Feminicídio cresce 190% em 11 anos e expõe falência da proteção às mulheres
Entre 2015 e 2025, o Brasil acumulou 13.474 vítimas de feminicídio. O crescimento é contínuo,…

Foto: Paulo Roberto/ALRS
No final da madrugada desta quinta-feira, 10, nem mesma havia amanhecido quando 400 famílias de agricultores vinculados ao Movimento Sem Terra (MST) iniciaram a ocupação de uma área de 1,7 mil hectares, no município de Triunfo. Parte do terreno pertence à CEEE Transmissão e é usada para o cultivo e tratamento de eucalipto para fabricação de postes.
Segundo o Movimento, uma outra área da mesma propriedade está abandonada e sem cumprir qualquer função social. As estruturas dos prédios e galpões estariam degradadas e já teriam ocorrido roubos de transformadores e fios de cobre.
O acampado em Tupanciretã e integrante da direção estadual do MST Marlon Rodrigues afirma que após um ano das enchentes ainda não houve retorno do governo do estado sobre o reassentamento das famílias que viveram suas casas e trabalhos alagados em Eldorado do Sul.
“Também estamos aguardando do governo federal as soluções para o assentamento das famílias que estão há mais de 10 anos acampadas no RS.” Estão cadastradas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/RS) 1.604 famílias que aguardam por assentamento.
A ação integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. A jornada iniciou dia 1º e segue até 17 de abril, data que marca o Dia Internacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária e marca os 29 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, quando 21 trabalhadores Sem Terra foram mortos e 69 ficaram mutilados pela Polícia Militar, durante uma marcha na BR-155, no Pará.
O MST defende a recuperação da área com produção agroecológica e denuncia a omissão dos governos diante das famílias que seguem acampadas no RS.

Deputado Adão Pretto considerou desproporcional a presença do Pelotão de Choque
Foto: Paulo Roberto/ALRS
O deputado estadual Adão Pretto Filho (PT) criticou a ação da Brigada Militar durante a ocupação. Ele classificou a presença da tropa de choque como um “aparato desproporcional”.
“A ocupação foi ordeira, sem violência. E o que o governo do estado faz? Envia batalhão de choque. Estamos falando de famílias inteiras, com mulheres e crianças, em uma manifestação ordeira. A presença da tropa de choque só deixa o ambiente hostil, quando o que se busca é diálogo e solução para essas famílias. É um aparato desproporcional. Na condição de presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia, e de parlamentar que defende o MST, eu repudio a postura do governo do estado”, afirmou Pretto.
O objetivo do MST é pressionar o governo estadual pela criação de novos assentamentos e reassentamentos, especialmente para famílias atingidas por enchentes. O movimento também pede a regularização de assentamentos existentes, com a emissão dos termos de concessão de uso.
Segundo o deputado, esses documentos são essenciais para garantir o acesso a programas federais de apoio à reforma agrária. Ele reforçou que o movimento busca produzir alimentos e viver com dignidade no campo.
“Essas famílias querem apenas um espaço para plantar e produzir comida saudável, como já fazem mais de 13 mil famílias assentadas no estado. A resposta do governo não pode ser a repressão, e sim políticas públicas eficazes”, declarou.
As famílias deixaram o local após a promessa de uma reunião com o chefe da Casa Civil, Artur Lemos. O encontro deve ocorrer ainda nesta quinta-feira.

No RS, 400 famílias de agricultores vinculados ao Movimento Sem Terra, iniciaram a ocupação de uma área de 1,7 mil hectares, no município de Triunfo.
Fotos: Victor Frainer/MST
A Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, promovida pelo MST, já realizou 23 ações em 10 estados desde o dia 1º de abril. Cerca de 10 mil famílias participam das mobilizações, que exigem a implementação da reforma agrária e apoio à agricultura familiar.
As ações incluem protestos e ocupações de latifúndios nos estados do Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo e, agora, no Rio Grande do Sul.
Margarida Silva, da direção nacional do MST, afirma que a jornada denuncia o modelo do agronegócio e defende uma agricultura que garanta soberania alimentar ao país.
“As ações anunciam a Reforma Agrária Popular como resposta à crise ambiental e social. O lema ‘Ocupar para o Brasil alimentar’ mostra que é possível combater a concentração de terras e produzir comida saudável e acessível para o povo brasileiro”, declarou a dirigente.