Movimento
Feminicídio cresce 190% em 11 anos e expõe falência da proteção às mulheres
Entre 2015 e 2025, o Brasil acumulou 13.474 vítimas de feminicídio. O crescimento é contínuo,…

O local escolhido para o ato público foi a calçada do Ifood Hub, onde os motoboys costumam estacionar para pegar as encomendas dos estabelecimentos que funcionam na Praça de Alimentação Shopping Praia de Belas
Foto: Edimar Blazina
Entregadores iniciaram paralisação nesta segunda-feira, 31, em 60 cidades do país protestando contra os valores mínimos pagos por entrega à categoria e outras situações precarização do trabalho praticadas pelas empresas de aplicativos. A paralização, chamada de “Breque Nacional dos Apps” está organizada para se estender até o dia 1º de abril.
Na Região Metropolitana de Porto Alegre, uma motociata de trabalhadores partiu da Avenida Getúlio Vargas, em Canoas, por volta das 11 horas da manhã. Depois seguiu pela BR-116, utilizando a freeway e a Avenida Castello Branco para chegar ao centro histórico da Capital. Circularam pelas avenidas Mauá e Loureiro da Silva, e por fim, na Avenida Borges de Medeiros. O local escolhido para o ato público, pois é justamente a calçada do Ifood Hub, onde os motoboys costumam estacionar para pegar as encomendas dos estabelecimentos que funcionam na Praça de Alimentação Shopping Praia de Belas.
O movimento tem apoio de parlamentares. “Esta é uma motociata do bem para buscar melhores condições para os trabalhadores de aplicativos. Eles têm todo o nosso apoio e estamos juntos nesta luta. Ninguém faz nada sozinho!”, exclamou o deputado estadual Leonel Radde (PT) em suas redes. Ele é presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Trabalhadores e Trabalhadoras de aplicativo da Assembleia Legislativa.
O SindimotoRS, sindicato que representa os motoboys, reivindica reajuste da taxa mínima por corrida/entrega, de R$ 6,50 para R$ 10,00; aumento do valor pago por quilômetro rodado, de R$ 1,50 para R$ 2,50; corridas de no máximo três quilômetros para ciclistas, para evitar a exaustão dos profissionais; pagamento integral de cada entrega quando vários pedidos são reunidos em uma mesma rota.
Segundo o Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas do Estado de São Paulo (Sindimotosp) apresentou a mesma pauta de reivindicações. “O sindicato dos motoboys de São Paulo vem a público manifestar total apoio a essa luta dos trabalhadores diante da exploração desenfreada das empresas de aplicativo, que promovem a pior precarização trabalhista da história do motofrete, explorando os entregadores e tornando-os verdadeiros escravos em pleno século 21”, divulgou, em nota, o SindimotoSP.
Em nota de resposta ao movimento, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as principais empresas de aplicativos, afirmou que respeita o direito de manifestação e informa que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores.
Sobre a remuneração dos profissionais, se justifica usando um levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Segundo o estudo citado na nota, a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada.
A nota encerra dizendo que as empresas associadas da Amobitec apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades. Além disso, que os aplicativos atuam dentro de modelos de negócio que buscam equilibrar as demandas dos entregadores, que geram renda com os aplicativos, e a situação econômica dos usuários, que buscam formas acessíveis para utilizar serviços de delivery.