Cultura
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Mestre José Batista, também autor do livro O Sopapo Contemporâneo – Um elo com a ancestralidade, foi o responsável por desenvolver o modelo cônico do instrumento, perpetuando sua relevância cultural para as futuras gerações
Fotos: Luis Fabiano - Fio da Navalha
A 2ª edição da Vivência do Sopapo – Memórias da Ancestralidade, promete uma jornada cultural que explora e valoriza a importância do tambor de Sopapo na construção da identidade afro-gaúcha. Neste ano, o evento ocorre em três cidades com fortes laços com a ancestralidade gaúcha e com o Sopapo: Pelotas, Caçapava do Sul e Porto Alegre. Cada cidade sedia atividades culturais que reforçam o valor do sopapo para a comunidade afro-sul-riograndense, com performances artísticas, convidados especiais, palestras e rodas de conversa. Depois de Pelotas, no dia 16, e Caçapava do Sul, no dia 23, o Vivências chega a Porto Alegre, no próximo sábado, dia 30.
Financiado pelo Ministério da Cultura e governo do Rio Grande do Sul, através da Lei Paulo Gustavo, com apoio da Sedac/RS, Casa de Cultura Mário Quintana e Lunar do Sopapo (POA), Clube Harmonia (Caçapava do Sul), ONG Cuidando de Nós e Núcleo de Teatro Ufpel (Pelotas), o projeto leva ao palco uma diversidade de apresentações artísticas, como teatro, música e poesia, focadas nas vivências de cada um com o Sopapo como símbolo de resistência e conexão com a ancestralidade.
Esta edição do evento presta homenagem aos ancestrais que preservaram a tradição do Sopapo, incluindo figuras históricas como os mestres Giba Giba, Baptista e mestra Sirley Amaro (em memória) e Dona Maria Baptista, esposa do Mestre Baptista e mãe de José Batista, que além de proponente do projeto, também será o palestrante. Mestre José Batista, também autor do livro O Sopapo Contemporâneo – Um elo com a ancestralidade, foi o responsável por desenvolver o modelo cônico do instrumento, perpetuando sua relevância cultural para as futuras gerações. O projeto também conta com idealização e produção de Nina Grace Baptista, produtora cultural e atriz, filha de José Batista e neta de Mestre Baptista.
As atividades são gratuitas e abertas ao público, mas é necessário realizar inscrição prévia. O formulário de inscrição está disponível on-line e pode ser acessado por aqui ou na bio do Instagram @vivenciadosopapo. É importante que os interessados se inscrevam na cidade em que desejam participar. Aos que desejarem colaborar, o evento estará arrecadando uma doação voluntária de 1kg de alimento não perecível. As contribuições serão destinadas ao Asilo Municipal de Pelotas, com o objetivo de apoiar a instituição que acolhe idosos.
Originário das charqueadas pelotenses no século 19, o Sopapo nunca foi apenas um instrumento musical, mas um elo que conectava os escravizados à sua ancestralidade, religiosidade e sua pátria mãe, a África, aliviando, por meio de suas batidas, o horror da escravidão. Durante o século 20, o Sopapo sofreu um processo de “carioquização” que quase o levou à extinção. Seu resgate se deu a partir de 1999 com o projeto CaBoBu, liderado pelos falecidos mestres Giba Giba e Baptista, em Porto Alegre, e José Batista, de Pelotas. Em 2021, o sopapo foi reconhecido como Patrimônio Imaterial da Cultura Pelotense pela Lei Ordinária 2.822/2021.
Adriana Sperandir, Diretora do Instituto Estadual da Música de Porto Alegre, expressa sua alegria em sediar o evento. “Para a Casa de Cultura Mário Quintana, é uma felicidade imensa receber um dos encontros do ‘Vivência do Sopapo’. O Instituto Estadual da Música (IEMRS) vem buscando encontros que valorizem e fomentem nossa ancestralidade, diversidade cultural e nosso patrimônio histórico. O Vivência do Sopapo faz esse resgate de forma poética, através de trocas de saberes que ficam na nossa memória. Estamos muito felizes em recebê-los”, afirma.
A 2ª edição da Vivência do Sopapo — Memórias da Ancestralidade não só celebra a resistência afro-gaúcha como também promove o fortalecimento de laços culturais entre as comunidades e reafirma o papel do Sopapo como símbolo de identidade e pertencimento do povo afro-sul-riograndense.
Serviço:
Data: 30 de novembro de 2024
Local: Casa de Cultura Mário Quintana – Sala Luis Cosme – 4º Andar (R. dos Andradas, 736
– Centro Histórico)
Cronograma:
13h30: Abertura do espaço ao público;
14h00: Abertura com toque de Sopapo;
14h10: Apresentação musical com Jay Djin e Maíra;
14h20: Performance de Arcano sem nome com Duma;
14h40: Mesa com convidados especiais (Edu do Nascimento, Lucas Kinoshita e Gustavo
Türk);
15h45: Palestra com Mestre José Batista;
16h45: Coffee break;
17h15: Roda de conversa;
17h45: Toque de Sopapo;
18h00: Encerramento