Governo federal anuncia extinção da pasta da reconstrução no RS

Secretaria com status de ministério criada em maio durante a catástrofe climática atuou em conjunto com o governo estadual para contornar crises
Governo federal anuncia extinção da pasta da reconstrução no RS

Coletiva de ministros em Porto Alegre oficializou extinção do ministério da reconstrução, cujas atribuições passam para o âmbito estadual

Foto: Reprodução

A Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução, criada em meio ao caos que se instalou no estado devido à enchente de maio, encerra suas atividades a partir de quinta-feira, 12, após 120 dias de atuação em conjunto com o governo do estado.

A extinção da pasta comandada pelo deputado gaúcho Paulo Pimenta (PT) foi anunciada na manhã desta quarta-feira, 11, em Porto Alegre,  durante coletiva dos ministros da Integração Regional, Waldez Góes (PDT), da Casa Civil, Rui Costa (PT) e das Cidades, Jader Barbalho Filho (MDB) e prefeitos gaúchos.

“Desde o primeiro momento, em um trabalho articulado com o governo do estado, com as prefeituras e com a sociedade civil o governo federal se fez presente. Num primeiro momento, no resgate de mais de 90 mil gaúchos e gaúchas em um trabalho conjunto e coletivo. Depois, o trabalho de reconstrução, de restabelecimento, e uma imensa pauta, que praticamente envolveu todas as áreas de atuação do governo aqui no nosso estado”, avaliou Pimenta.

A extinção da pasta já havia sido anunciada pela manhã pelo ministro e consta em decreto publicado no Diário Oficial, que formaliza a criação da nova Secretaria para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, que passará a funcionar na esfera da Secretaria-Executiva da Casa Civil. As funções serão as mesmas da atual Secretaria Extraordinária da Presidência da República criada em maio por medida provisória e que deixa de existir.

A Secretaria Extraordinária foi criada para centralizar a coordenação das ações federais no apoio à população e à economia atingidas pela catástrofe climática. Pimenta deve reassumir o comendo da Secretaria de Comunicação da Presidência.

Balanço

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Pimenta: “A criação do ministério foi acertada. O objetivo não era resolver todos os problemas, mas deixar as coisas encaminhadas”

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

“Concluímos essa etapa que é a primeira de reconstrução com a participação do governo federal, um trabalho que terá sequência, pois nós temos muito ainda a ser feito. A criação do ministério foi acertada. O objetivo não era resolver todos os problemas, mas deixar as coisas encaminhadas”, argumentou Pimenta.

De acordo com o ministro, setores como a educação e a saúde tiveram a situação de emergência equacionadas, com reformas e reconstrução de estruturas físicas e passam agora a ser sanadas entre os ministérios da Saúde e da Educação e o estado; assim como foram entregues os cronogramas de retorno da Trensurb e do Aeroporto.

O aeroporto deverá retomar algumas operações no 21 de outubro, mas voltará a operar plenamente só em 16 de dezembro. Já as operações da Trensurb seriam estendidas ainda em setembro até a estação Farrapos.

Além disso, o ministro enumerou um conjunto de matérias que tratam da renegociação das dívidas do setor primário e da agricultura.

“São mais de 30 mil empresas beneficiadas pelos programas de crédito criados pelo governo federal, com jutos altamente subsidiados. Conseguimos fazer uma coisa que muita gente não imaginava e teve gente que achou que o RS perderia 25% da sua arrecadação, que a nossa economia levaria anos para dar uma resposta. Em julto, nós fomos o estado com maior crescimento da indústria, com uma extraordinária recuperação de ICMS e geração de empregos”, exultou.

Pimenta estima que serão necessários ao menos cinco anos de obras para a readequação dos municípios constra as cheias. Segundo ele, uma das primerias obras de grande porte que serão alinhadas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Eduardo Leite (PSDB) em encontro nesta semana, será o dique de Eldorado.

A obra seria licitada neste ano. Depois viriam a reconstrução do dique do Arroio Feijó na divisa de Porto Alegre, Alvorada e Viamão, obra estimada em R$ 1,5 bi. Também deve ser priorizada a manutenção das casas de bombas e demais equipamentos do sistema de prevenção de enchentes na capital.

Habitação

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Lula e Leite devem anunciar obras prioritárias antienchentes, como os diques de Eldorado do Sul e do Arroio Feijó

Foto: Bruno Peres/ Agência Brasil

O ministro Jader Filho explicou que os investimentos previstos para reconstrução em habitação foram projetados em R$ 3,48 bilhões, para construção das unidades habitacionais daquelas pessoas que tiveram suas casas destruídas. “Quebramos diversos paradigmas do Minha Casa Minha Vida, foi criada a versão rural calamidade do programa e, pela primeira vez, foi possível a aquisição de imóveis prontos, sejam aqueles oferecidos pelo governo ou à escolha direta pelas famílias. Os recursos já foram alocados para compra de 2,5 mil desses imóveis, de uma meta de 11,5 mil unidades”, enumerou.

O ministro das Cidades pediu cooperação aos prefeitos para dar início da construção das unidades habitacionais, que depende de autorização das prefeituras. Em Canoas, o programa disponibilizou 3 mil unidades e foram apresentadas 1,7 mil unidades pelas construtoras.

“Essas casas estão aguardando liberação da prefeitura para começarem a ser construídas. Em Porto Alegre, o governo ofereceu 3 mil unidades e 7 mil foram apresentadas pelas construtoras. “É importante que as prefeituras nos autorizem a fazer essas contratações para que elas possam virar obra. Se somarmos todos os investimentos do Minha Casa Minha Vida Rural Calamidade e urbano chega a 48 mil unidades distribuídas”, ilustrou.

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