Saúde
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O médico intensivista Rafael Rosa deixa a Central de Transplantes do RS em meio ao crescimento dos indicadores
Foto: Igor Sperotto
O médico Rafael Rosa deixou nesta segunda-feira, 15, a coordenação da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, cargo que ocupava há dois anos e meio, período marcado pelo aumento na captação de órgãos e na realização de transplantes no estado.
Rosa foi substituído pela médica Sandra Lucia Coccaro de Souza, que já havia coordenado o sistema estadual de transplantes de setembro de 2019 a agosto de 2021.
Desde abril de 2011, ou seja, em 13 anos, esta é a sexta mudança de coordenação da Central de Transplantes do RS. Em meio a essa rotatividade que acontece no RS, o estado perdeu a liderança na captação de órgãos para Santa Catarina.
A substituição de Rafael Rosa por Sandra Coccaro foi comunicada internamente, na última sexta-feira, 12, pela diretora do Departamento de Regulação Estadual, Suelen Arduim, com o aval da secretária de Saúde, Arita Bergman. A justificativa seria um realinhamento nos fluxos de trabalho. A Secretaria da Saúde e a diretora não retornaram aos pedidos de informações sobre a mudança de gestão.
Rafael Rosa assumiu a coordenação da Central em setembro de 2021, tendo como o coordenador-adjunto o médico Rogério Caruso e, à frente do Núcleo de Educação e Sensibilização de Doação de Órgãos e Tecidos, James Cassiano.
Infográfico: SES/RS“Trabalhamos com melhorias no processo de doação e aprovação do Plano Estadual de Transplantes. Espero que a nova gestão siga o Plano Estadual, com metas, indicadores, treinamentos e capacitações previstas, assim como fiscalização da aplicação dos recursos do programa Assistir para as Cihdott (comissões intra-hospitalares para Doação de órgãos e Tecidos para Transplantes), continuando o progresso e aumento nas doações de órgãos e transplantes no estado, que conseguimos nos últimos três anos, melhorando ano a ano”, declarou Rosa.
De acordo com o ex-coordenador, em 2023, a Central registrou o maior número de notificações da história dos transplantes no estado: foram 838 diagnósticos de morte encefálica, que pela legislação brasileira é a condição para que ocorra a doação de órgãos para transplantes.
“Crescemos 20% em relação a 2022”, compara.
Em entrevista para o livro-reportagem Corrida contra o tempo – o que compromete a doação de órgãos e a eficiência do Sistema de Transplantes no Brasil (Carta Editora, 2023), o médico já alertava para o problema da rotatividade na Central de Transplantes.
“Santa Catarina, que hoje tem o desempenho mais eficiente em doação de órgãos de todo o país, transformou a questão em política de estado. Ou seja, os governos passam, mas a estrutura se mantém estável, valorizada, com prestígio. Aqui, muda o governo, muda o alinhamento”, pontuou Rafael à época.
Receptores ativos na lista de espera no RS em março de 2024
Coração 11
Córnea 1299
Fígado 161
Pulmão 62
Rim 1202